Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O preo do improviso

18 de Novembro, 2019
O tempo vai dissipando quaisquer dúvidas sobre a capacidade do elenco da Federação Angolana de Futebol na condução dos destinos do futebol nacional. Muitas pessoas fizeram figas para que se mantivesse Srdjan Vasiljevic, por duas razões: demonstrou ser competente. E, era barato se comparado com os outros que por lá passaram nos últimos anos, cujos salários não ficavam abaixo de duzentos mil dólares, por ano. Vasiljevic não recebia sequer 100 mil dólares, por ano. Portanto, a Federação Angolana de Futebol tinha, em mãos, uma pessoa que estava a fazer bom trabalho à custo razoável. Porém, a desorganização na Federação Angolana de Futebol é tanta, que qualquer um perde a cabeça, facilmente. E, assim, os Palancas Negras perderam não apenas um treinador, como todas as rotinas conseguidas nos últimos tempos. O CAN mal foi dirigido, a FAF anda fugida, não é capaz de dar explicações sobre os sucessivos problemas organizativos, e ainda assim, acreditamos que os Palancas Negras podem ter sucesso nas eliminatórias e chegar ao CAN. Como? Não fez um único treino, a hora do jogo, o treinador não teve tempo de observar quem é quem e mesmo assim, esperava-se ganhar a Gâmbia e o Gabão. Como? Seria por sorte, ou por qualquer outra razão? E, como se não bastasse, para um jogo importante com o Gabão, Gelson Dala, o melhor avançado dos Palancas, é dispensado para tratar de um assunto familiar, situações que podem ser tratadas depois do jogo. Como é possível isso, num futebol profissional e sério? Não se trata de morte, nem doença, felizmente. É uma questão migratória, logo, passível de ser adiada. Sempre se pode abordar as autoridades portuguesas, porque há um interesse maior que deve ser protegido e salvaguardado. O mesmo podia acontecer com portugueses, se estivessem numa situação idêntica. A que ponto chegou a Federação Angolana de Futebol! Já esteve mal, é verdade, mas nunca ao nível de Artur Almeida. As pessoas não são capazes de assistir um jogo da sua selecção, porque têm medo de sofrer. O País não pode mais do que isso? Não há ninguém melhor que Artur Almeida e Silva para dirigir os destinos do futebol? É muito sofrimento, para um só povo! O improviso pode resultar em uma ocasião, mas não sempre! O futebol moderno castiga, severamente, o improviso. Teixeira Cândido

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