Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O preo dos fast and big

20 de Agosto, 2018
Se me dessem a escolher, nunca seria piloto, médico legista ou treinador de futebol. Ser treinador de futebol é comprar doenças de coração todos os dias, e muitas vezes por razões alheias. Ou seja, apenas pelo capricho de quem é presidente, quem decide com quem e como gastar o seu dinheiro. É uma profissão ingrata, de desassossego eterno.
Como se compreende, que um treinador com o trabalho de André Makanga, no Libolo, não lhe seja dado a possibilidade de continuar? Se os resultados desportivos são o fundamento das decisões de despedimento ou não dos treinadores, como se explica a saída do Makanga? Com uma equipa aos farrapos, os resultados por ele conseguidos reclamam outra valorização do seu trabalho.
Não é de todo, no entanto, surpreendente uma decisão dessas para o Recreativo do Libolo. É um clube que sempre viveu nas nuvens. Chegou ao futebol nacional e sem mais quer ser um grande. Um estatuto que os outros conquistaram com trabalho e tempo, o Libolo quer, sem mais nem porque, ser grande como se o dinheiro fosse por si bastante.
No futebol, ser grande exige uma tradição de vitórias e nomes emblemáticos, como sendo de jogadores ou atletas e treinadores. Petro de Luanda e o 1º de Agosto são grandes, porque tiveram Jesus e Ndunguidi, Romano, Baduna, Victor de Carvalho, Jean Jacques, Lutonda, Herlander e outros. Tiveram Vladimiro Romero, Vitorino Cunha e Mário Palma. São grandes, porque possuem dimensão nacional. Ignorando tudo isso, o Libolo aposta apenas na filosofia do \"fast and big\".
Uma política que começa apresentar já os seus resultados negativos. Quando a realidade económica do País recomenda uma meia-volta- volver, o Libolo parece ignorar todos os sinais. Há exemplos de projectos sustentáveis, que deviam ser imitados. O 1º de Agosto devia servir de espelho. O investimento em infra-estruturas e em recursos humanos, pode conduzir aquele clube para grandes resultados. É hoje, por exemplo, o grande abono das selecções de futebol jovem. Assim como o Petro é no andebol. É disso que o desporto vive e o País agradece, e nunca dos fast food.
Porque não substituir essa política do quero, mando e posso, correndo o risco de imitar àquela estória do rei vaidoso que acabou nu. Com menos recursos, o desejável é fazer opções racionais, e não absurdas. E sai e entra. Troca e troca. É uma má lição de gestão.
Teixeira Cândido

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