Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O Presidente Joo Loureno e o desporto angolano

28 de Setembro, 2017
O desporto em Angola é, e vai continuar a ser alvo de detida atenção do Chefe do Executivo, em qualquer época enquanto este mundo continuar como é, com mudanças periódicas de governantes.
Foi assim, com António Agostinho Neto, como Presidente da República de 1975 a 1979, tendo dado os primeiros passos para a massificação do desporto em Angola, com José Eduardo dos Santos que geriu a vida política do país, durante os últimos 38 anos.
No espaço de quatro anos, em que Agostinho Neto esteve no comando dos destinos do país, lançou as sementes para o desenvolvimento do desporto angolano ao inculcar na mente do seu Executivo, a importância do desporto na vida do cidadão.
Foi assim, que modalidades como o andebol, cuja Federação é a mais antiga do país com cerca de 42 anos de existência, a do basquetebol e do futebol foram imediatamente relançadas depois da Independência Nacional.
Com José Eduardo dos Santos a conduzir os destinos do país, e o seu incansável empenho, o desporto angolano ganhou novo fôlego. Assim, ao longo dos 38 anos de presidência, o andebol foi a modalidade mais prestigiada e serve de grande cartão de visitas do país, com cinco participações em Jogos Olímpicos, teve como melhor classificação a nível de campeonatos do mundo, o sétimo lugar.
A nível de mundiais, o nosso andebol feminino tem 13 participações, e teve como melhor classificação, também o sétimo lugar. A nível de África, as “nossas senhoras” dominam claramente, quer a nível de selecções, com 12 títulos continentais, quer a nível de clubes, com o Petro de Luanda a ostentar mais de 40 títulos, no conjunto de taças dos clubes campeões e a Babacar Falls.
Para esta grandeza do nosso andebol, contribuíram grandemente nomes como o de Francisco António de Almeida, Beto Ferreira, Palmira Barbosa, Nair de Almeida, Filomena Trindade, Ilda Bengue, Belezura e outras.
O basquetebol, surge como a segunda modalidade, mais prestigiada do país com 11 títulos continentais e várias participações em Jogos Olímpicos e Mundiais, embora, nos últimos quatro anos esteja a perder terreno para selecções como a Nigéria, Senegal e Tunísia.Para este feito, contribuíram vários personagens com destaque para Vitorino Cunha, Mário Palma, Wlademiro Romero, Mário Octávio, José Assis, José Carlos Guimarães, Jean Jacques, Lutonda, Nelson Sardinha, Ângelo Victoriano e muitos outros.
O futebol, que é a modalidade predilecta do ex-presidente da Republica, e que tudo fez para colocar entre os melhores de África, pode considerar-se como a modalidade mais ingrata, em função do empenho pessoal que dos Santos fez com relação a ela, que pode ser considerada a principal “religião” do país.
Enquanto Presidente da Republica, o amor de Dos Santos ao futebol foi tão grande que durante o seu mandato tudo fez, para organizar um dos melhores se não o melhor Campeonato Africano das Nações que o continente africano já viu, isso, em 2010.
Para a realização do referido campeonato das nações, o país construiu quatro novos Estádios de raiz, com destaque para o Estádio 11 de Novembro em Luanda, com capacidade para 50 mil almas sentadas, além de outras obras gigantescas, para a realização do referido evento.
Não temos dúvidas, de que pelo facto de ser a modalidade predilecta da maior parte dos angolanos, o futebol foi a modalidade que mais dinheiro gastou dos cofres do Estado, e praticamente não compensou a nação, na devida proporção, embora, tivesse ido a um Mundial em 2006, na Alemanha, e conquistasse quatro taças da Cosafa, competição em que não desfilam equipas como os Camarões, Ghana, Nigéria, Costa do Marfim e outras selecções cotadas do continente africano.
Apesar dos insucessos do nosso futebol, dos Santos pacientemente sempre acompanhou de perto o futebol angolano, quer a nível da Selecção Nacional, quer do Girabola, foi ele quem fez a entrega da taça de primeiro campeão nacional de futebol de Angola, depois da Independência, a Lourenço, antigo capitão do 1º de Agosto, em 1979.
A nível da Selecção Nacional, o nosso futebol não vingou em termos de Girabola, o nosso campeonato nacional, intercalou bons com maus momentos. O primeiro bom momento foi de 1979 a 1990, com domínio inicial do 1º de Agosto, com três títulos seguidos, dois títulos para o 1º de Maio, e sete para o Petro de Luanda.
Naquele período, segundo a opinião da maior parte dos amantes do nosso futebol, despontaram as melhores estrelas do nosso futebol, como são os casos de Ângelo, Napoleão, To Zé, Carnaval, Garcia, Santo António, Ndunguidi, Alves, Eduardo Machado, Geovete, Quim, Chiby, Jesus, Mavó, Praia, Santinho, Sarmento, Chico Afonso e muitos outros.
Com a crise económica que o Mundo esta a viver desde 2015, o futuro do futebol angolano está ameaçado, pois, a nível do campeonato nacional boa parte das equipas não tem activos, para continuar a disputá-lo. Actualmente, a faltarem cinco jornadas para o fim, uma equipa já desistiu do Girabola, e quatro estão à beira de seguir o mesmo caminho. O que será da Selecção Nacional por este andar da carruagem?
Outras modalidades, como o hóquei em patins, atletismo paralímpico, com José Sayovo em destaque, boxe, xadrez e o ciclismo têm dado um ar da sua graça, com maior realce para o hóquei em patins que ocupou a 5ª posição no último Mundial da modalidade.
Em síntese, este é o legado de José Eduardo dos Santos, desportivamente falando. Portanto, em função dos dados, a questão é: O que se pode esperar do novo Presidente da República, em termos de apoio ao desporto Angolano?
A ter em conta, o facto de ele mesmo ser um desportista ligado às artes marciais (os karatecas podem gabar-se de terem como companheiro tão ilustre figura), e ter ainda em atenção a importância do desporto na vida das populações, e a força que o desporto exerce na união da nação, podemos acreditar que o Presidente João Lourenço vai seguir o exemplo do antecessor, apoiar activamente o desporto. Augusto Fernandes

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