Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O primeiro choro vem do... Norte !

22 de Novembro, 2017
Vem do Norte do país porque chegou ontem de Cabinda a primeira atitude que deve fazer a Federação Angolana de Futebol agir. A notícia não mente. Está aqui à esquerda: o vice-presidente do Sporting de Cabinda, Sami Muai, afirmou, em entrevista a este jornal que o leitor tem em mãos, que - vejam só a brincadeira, meus senhores !- a sua direcção ainda não conseguiu (sic) resolver nada e está sem dinheiro para dar abertura dos trabalhos da pré-epoca de 2018, sobretudo para o Girabola ZAP.
E no meio da notícia está um dado que - vou continuar a dizer - parece ser mais vez uma espécie das habituais \"chantagens\" aos governos provinciais que, bem vista as coisas, não têm a obrigação de suportar financeiramente os clubes.
Esta triste nova vinda de Cabinda, é assim, e para mim particularmente, mais um exemplo acabado, mais uma prova dada, de que nosso futebol continuamente irá de candeia às avessas por falta de \"verdade desportiva\". Como é que essa equipas que ascendeu ao Girabola de 2017, já anda aos \"prantos\" , dizendo, para quem quer ouvir, sobretudo à FAF, não ter dinheiro para suportar as \"encomendas\" do campeonato do ano que vem.
Mas não será já uma soberana oportunidade para a federação exigir provas de condições financeiras de todas as equipas, no sentido de avaliar se possuem orçamentos para a próxima época?
O órgão reitor do futebol nacional não pode fazer tábua rasa. Não pode fazer ouvidos moucos. Estávamos ainda no curso do campeonatoganho pelo 1º de Agosto quando repetiu a\" boa nova\" de que faria sair \"nos próximos tempo\" o designou licenciamento com condições a serem impostas aos clubes, com isso visando evitar situações de desistência durante o campeonato nacional da primeira divisão, que como sabemos é o Girabola.
Estávamos a sair do jogo da final da \"Segundona\", quando também a federação, até para um melhor esclarecimento, aditou que o tal licenciamento trata-se de um documento que visa testar a capacidade organizativa e financeira.
Este Sporting de Cabinda ascendeu, como se também se promoveram meritoriamente o Domant FC do Bengo e o FC Casa Militar do Cuando Cubando.
Não sei se estas esquipas trarão outra qualidade e competitividade ao Girabola, mas, em relação a elas, a pergunta que não se pode calar a mesma levantada pelo Sporting de Cabinda: têm ou não capacidade financeira para se aguentar no Girabola de 2018?
Tendo em conta que o campeonato dá o pontapé de saída em Março - portanto, restando ainda quatro meses - a federação já devia intimar o Sporting de Cabinda, ou melhor todas as equipas, mesmo as ditas \"grandes\", a ver se terão capacidade financeira para a prova e, além disso, se será suficiente para poderem pagar salários, contratos e demais compromissos?
A federação preferirá aguardar pelo início do campeonato e ouvir \"gritos de socorro\" e ameaças de desistências? Sei que a federação prometeu aplicar \"multas pesadas\", não especificou em que quantias. Mas o ideal é mesmo cortar o mal pela raiz, ainda que o campeonato \"role\" só com o número de equipas capazes.
Aliás, este denominado processo de licenciamento não é de hoje. Lembro-me que, em 2016, o então secretário-geral da federação, Cardoso Lima, batera já na mesma tecla. \"Os clubes que quiserem que as suas equipas participem num campeonato terão de aceitar todos requisitos\", disse na altura .
Portanto, os clubes assumiram um compromisso com o campeonato, como a federação, mas... nada apresentam! E então a consequência é óbvia: dívidas com os transportadoras, equipa técnica, arbitragem, enfim...
Diante disto, a federação acha que a ordem no ciclo se impõe com a retenção de cartões de jogadores e treinadores, obrigando os clubes a liquidarem dívidas com tais formas de pressão?

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