Jornal dos Desportos

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Opinio

O primeiro milho para os pardais?

31 de Março, 2018
Quando nos propusemos a falar do nosso Girabola, há sempre cogitações adicionais que demonstram bem o inflamar das paixões de aficcionados, de pessoas como nós, também adeptos que, num ápice nos vemos irremediavelmente arrastados na multidão daqueles que amam e sofrem por este desporto-rei.
O Girabola Zap 2018 mesmo com sete jornadas disputadas já trás fulgor, acutilância e a competitividade que dele se espera. Naturalmente que, para alguns parece ainda cedo para aferir o que os clubes andaram a fazer na fase da pré-época. Para outros, é já nesta altura que se pode tirar a prova dos nove porque, para estes, a partir do primeiro terço do campeonato se podem já tirar as devidas conclusões e saber se, também aqui, o primeiro milho será apenas para os pardais.
Claro que nisso, há muito que se lhe diga. Ou seja, muitos desejam ver para crer se os actuais comandantes da prova, nomeadamente o Interclube, ocupa o seu “verdadeiro” lugar ou, “aquece” apenas lugar para os chamados “papões” que a partir de agora poderão fazer emergir as suas potencialidades e assumirem então as responsabilidades que têm no contexto futebolístico. Apesar de tudo, diga-se, o Interclube é igualmente um desses “grandes” que, nos últimos anos esteve um pouco adormecido mas que, preferiu fazer recuos estratégicos, organizar-se e surgir em grande. Se esta é a hora e a vez do clube da Polícia, só o final da época poderá responder.
Uma análise profunda pode ser feita do comportamento dos chamados “grandes” como 1º de Agosto (15º com 4 pontos, em três jogos), Petro de Luanda 11º, 8 pontos em 4 jogos), Recreativo do Libolo (6º classificados com 10 pontos, em 7 jogos), Kabuscorp do Palanca (2º lugar com 12 pontos em 6 jogos), Sagrada Esperança da Lunda-Norte (4º classificado, com 10 pontos em 7 jogos), enfim, pelo menos são esses que assumem e têm responsabilidades acrescidas no nosso association para abrirem o peito e almejarem o desiderato.
O certo porém é que houve situações subjectivas e objectivas que, aferidas acabam por justificar a campanha pouco vistosa (pelo menos até agora), dos tais que têm a responsabilidade de assumirem os lugares cimeiros da prova. 1º de Agosto e Petro de Luanda estiveram empenhados na competição africana, aliás, os militares ainda lá estão, proporcionaram episódios de má memória em relação à Federação e à Selecção de futebol com um autêntico “braço-de-ferro” de “vai-não-vai” onde, os militares, pouco avisados, acabaram com jogadores punidos severa e exemplarmente.
Talvez agora que o “caldo” entornou possa depois vir a servir de desculpa dos resultados pouco animadores e pouco convincentes que tiveram enquanto as suas principais unidades estiveram a cumprir sanções. E isso, para quem tem responsabilidade na prova, principalmente de revalidação do título, pesa de facto muito. Hoje, a equipa está ainda com alguns jogos em atraso, motivado pela participação nas Afrotaças onde recentemente se apurou para a fase de grupos.
Em relação aos outros concorrentes, nomeadamente o Petro de Luanda, o Sagrada Esperança, o Kabuscorp do Palanca e o Recreativo do Libolo que, de resto acabam por ser os mais “visíveis” no que a candidatura para o título diz respeito, esses prosseguem normalmente as suas campanhas fazendo jus ao seu “estatuto” mas, com imensas escorregadelas. Aliás, é mesmo por causa disso que o Interclube, avisado das intempéries da competição, aproveita bem o estado menos bom (?) dos tais para “produzir” a sua safra e “cavar” vantagens que lhe podem ser úteis no lavar dos cestos.
Os números falam por si. Se o Girabola é uma prova de regularidade, os “Polícias” do Rocha Pinto têm estado a fazer jus a este pressuposto. Hoje, à entrada da jornada oito da prova, lideram por mérito, ainda que sejam considerados “meros pardais”. Somam 16 pontos, em sete jogos, fruto de 5 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Marcou 11 golos e sofreu apenas 3. Detém nas suas hostes, o actual líder dos artilheiros da prova, Pedro Bengui, com 6 golos na sua conta pessoal.
A equipa de Paulo Torres terá que provar no terreno de jogos que a teoria de que o primeiro milho é para os pardais, pode até ser real mas demonstrando, se é a ela que os detractores chamam “pardal”, que podem repetir a proeza de vencer o campeonato como já o fez em duas ocasiões. A teoria já mostrou, em bastas ocasiões que, quem parte em frente acumula sempre vantagens comparativas em relação aos seus seguidores que terão que depender sempre das suas escorregadelas. Nisso, não é pois em vão o ditado segundo o qual: “candeia que vai em frente, alumia duas vezes…”
Faltam pouco menos de duas jornadas para ser consumido primeiro terço da prova. A partir daí já se poderão fazer contas e avaliações mais profundas em relação ao desempenho dos distintos concorrentes. O que conta agora é que o Girabola Zap 2018 tem um líder e este chama-se: Interclube.
É isso que proporciona as cogitações profundas quando, por exemplo notamos que, nesta fase, no pelotão da frente, logo em terceiro lugar, há, um “intruso” (?) com 11 pontos em 7 jogos. Trata-se da Académica do Lobito cuja vitória alcançada na jornada passada em casa do Desportivo da Huíla, lhe proporcionou o chamado “salto de qualidade” e, por consequência disso, aí está, em terceiro. Será também um pardal? Só a regularidade que tiver na prova irá justificar isso mas, de momento, os números que produziu lhe conferem legitimamente este posto e, com devido mérito.
Assim vai o Girabola Zap 2018. O nosso Girabola….
Morais Canâmua

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