Jornal dos Desportos

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Opinio

O Professor Vitorino j apontou a soluo

17 de Outubro, 2017
Do próprio professor Vitorino Cunha, tenho eu guardado esta lapidar verdade, quando e ouso fazer comparações: \" a modalidade, em termos de emergência de jogadores potenciais e na táctica colectiva não evoluiu na maior parte dos países ( e Angola nela se insere), isso devido à fraca competência de treinadores e falta de campeonatos internos competitivos\".
Portanto, para mim o professor Vitorino Cunha, não mentiu! A sua constatação vai ao encontro do que certa vez, assisti, no seguimento do nosso fracasso no anterior Afrobaket disputado na Tunísia ( não este de 2017).
Isto é, num acalorado \"debate\" - na televisão estatal - estiveram frente a frente o então presidente da federação, Paulo Macedo, o director nacional do desporto, António Gomes \"Tony Estraga\", o poste Eduardo Mingas , o antigo seleccionador, Victorino Cunha, os antigos jogadores Honorato Troço e José Carlos Guimarães e um ex-presidente do órgão, Pires Ferreira. O objectivo foi colocar em \"pratos limpos\" o trabalho de casa que deve voltar a ser feito nas escolas, nos clubes para aparecerem novos e bons atletas.
Cada um debitou a sua opinião, mas quem chegou mesmo a \"partir a loiça\" no meio do painel de participantes foram, sem sombra de dúvidas, o Eduardo Mingas e o ex-jogador José Carlos Guimarães, porque surpreendentemente tiveram a coragem de apontar as razões de entidades públicas e particulares que deixaram de investir na formação.
Perguntou eu, aqui e agora: quem, honestamente, acha que já viu na \"Taça Vitorino Cunha\" jogadores da \"estirpe\" - no bom sentido - de um Lutonda, um Carlos Almeida, Baduna, Jean Jacques, Zé Carlos Guimarães?
Já há jogadores com a visão de jogo de um base como Armando Costa, Carlos Morais, Milton Barros; extremos como Olímpio Cipriano e Roberto Fortes; postes como Eduardo Mingas e Joaquim Gomes \"Kikas\" ?
Tenho por isso muitas reservas em dizer que a \"Taça Vitorino” já mostrou valores com capacidade técnica igual ou melhor que os da geração que até pouco tempo consolidaram o poderoso império angolano, internamente e no continente.
O País inteiro - mesmo a África e o mundo que admiram a Angola no jogo da bola ao cesto - a meu ver, ainda não podem dizer que já resgatámos grandes jogadores de basquetebol como os que víamos até há seis anos.
O império do basquetebol angolano, a nível de bons executantes, só está posta em causa porque hoje há apostas num relevantíssimo interesse imediato de clubes ou da federação em detrimento da formação.
Não temos boa formação de base; deu-se primazia a caprichos que colidem grandemente com o que víamos. Os jogadores não mostram a peculiaridade dos nossos aspectos singulares de treinos; nossas características físicas e morfológicas para o basquetebol.
O meu camarada (jornalista) Arlindo Macedo, que é um dos profissionais mais bem informado sobre o nosso basquetebol, certa vez disse-me, por escrito, o seguinte : há jogadores altos no 1º de Agosto e no Petro Atlético que já deviam ser convidados a jogar com dupla categoria júnior/sénior, uma artimanha bem urdida, e também sucedida, nos tempos em que havia quem estudasse a organização e a técnica do desporto, como o faziam Victorino Cunha ou Wlademiro Romero.
Eu continuo a concordar com esta afirmação de Arlindo Macedo. E por esta razão, não posso ainda dizer que nesta recente e oportuna \"Taça Vitorino Cunha\" tenha revelado que temos muitos valores garantidos. Deve haver mais formação e mais competições para despontarem.
ANTÓNIO FÉLIX

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