Jornal dos Desportos

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Opinio

O que fica por fazer

24 de Dezembro, 2014
Entre os factores negativos concernentes à não qualificação dos Palancas Negras, para a fase final do Campeonato Africano das Nações, que no próximo mês vai ocorrer na Guiné- Equatorial, está a impossibilidade da transferência de atletas angolanos para campeonatos de outros países e continentes.É por demais sabido, que a realização de competições com a dimensão da fase final de um CAN proporciona oportunidades de negócios, que se consubstanciam na possibilidade de atletas trocarem de ares, principalmente para a Europa, onde beneficiam de melhores condições de evolução técnica e compensação financeira.

Os jogadores angolanos vêm assim coarctadas as possibilidades de tal acontecer, uma vez que até ao momento, a intervenção de agentes ou empresários de atletas tem sido ténue, não obstante reconhecer-se que existe a tentativa de saírem do marasmo. O caso de Ary Papel (1º de Agosto), que pode treinar no Sporting Clube de Portugal, uma das principais referências do futebol luso e do continente europeu, só se tornou possível em função da sanção de dez meses, sem jogar oficialmente, imposta pela Federação Angolana de Futebol (FAF).
É assim, que como forma de não perder o comboio em termos de acompanhamento da evolução que os diversos sectores da vida nacional registam, a acção dos empresários, não só do ramo do futebol como de outras modalidades deve conhecer maior dinamismo.É exíguo o número de agentes ou empresários de atletas que são chamados a exercer o seu trabalho de forma mais acentuada, tendo em conta a participação no desenvolvimento do desporto nacional.

Os homens de negócios que optaram pelo desporto como ramo de actividade, jogam igualmente um papel preponderante no que diz respeito a equilibrar ou fazer com que seja superior, a favor dos angolanos, a transferência de atletas e treinadores nacionais, para outras paragens.Nos tempos que correm tem-se registado a imigração quase desenfreada de atletas e treinadores estrangeiros que ingressam no desporto angolano, incluindo nas modalidades em que as selecções angolanas, no contexto africano, dominaram durante décadas.

Não estaremos distantes da realidade ao afirmar que uma das principais causas que colocam o futebol da selecção principal angolana uns “furos” abaixo do das consideradas selecções de topo e medianas de África, está ligada à diminuta quantidade e à fraca qualidade daz Em alguns casos, deve-se à má orientação e ao deficiente acompanhamento dos seus agentes, na maioria estrangeiros, que se preocupam principalmente em embolsar comissões que se estipulam em dez por cento do montante que a transferência envolve.

Neste aspecto, não se deve ficar indiferente ao facto de a maioria dos atletas actuar em equipas do segundo escalão dos campeonatos daqueles países, onde uma boa parte é confinada à condição de segunda opção e outros transformados em “aquecedores” de bancos.Nem sempre são merecedores da confiança dos técnicos. Não se deve descurar o facto, que os clubes também têm a sua quota parte de responsabilidade no que a isto diz respeito.

O nível e a qualidade que é patenteado na idade adulta, e que influi no desempenho das selecções nacionais, é o reflexo do trabalho que é executado em termos de progressão nos vários escalões etários.É nesta perspectiva que se faz sentir a necessidade urgente da realização de um encontro que aglutine elementos, não penas ligados ao futebol, como de outras áreas do saber. Pode recorrer-se à participação de especialistas estrangeiros, que possam contribuir com subsídios que ajudem o futebol angolano a enveredar pelo caminho certo.
Leonel Libório

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