Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O que se espera do 1 de Agosto?

20 de Setembro, 2018
Depois do empate a zero bolas, no jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga dos Clubes Campeões Africanos, em Luanda, o 1º de Agosto joga amanhã, em Lubumbashi, a segunda mão diante do TP Mazembe. O que se pode esperar do nosso representante?
Em função do que vimos no jogo de Luanda, no Estádio 11 de Novembro, com mais de 45 mil espectadores, podemos dizer que os Corvos, designação por que é também conhecida o TP Mazembe da República Democrática do Congo (RDC), em minha opinião, têm 65% de probabilidades de vencer o jogo e passar a eliminatória.
Isto porque existem muitos factores que jogam a favor dos congoleses-democráticos, como, por exemplo, o seu historial a nível do continente africano. Alem de jogar em casa, onde dificilmente perde e ainda não tropeçou para a Liga dos Campeões, o TP Mazembe é dos clubes mais titulados de África, com cinco troféus na sua galeria.
A equipa de Tresor Mputo Mabi é a primeira equipa Africana, que já disputou uma final do Mundial de clubes, isto em 2010. Além disso, tecnicamente é uma equipa muito bem esclarecida, como vimos no passado dia 14 do corrente no Estádio 11 de Novembro. Em minha modesta opinião, o TP Mazembe não jogou tudo o que sabe na primeira mão, tendo se limitado a controlar o jogo, de modos a não sofrer qualquer golo para resolver a eliminatória em sua casa.
Acredito, que se o Ibukun tivesse aproveitado aquela oferta do \"keeper\" dos Corvos, aos 13 minutos da primeira parte, marcando o golo inaugural, as coisas mudariam de figura, porque os congoleses iriam colocar toda a carne no assador.
Mesmo a jogar a 50 a hora, em minha opinião, o TP Mazembe teve o controle do jogo, especialmente a partir do minuto 60 e só não marcou, porque o 1º de Agosto defensivamente esteve bem; sendo este o sector que, mais uma vez, esteve em destaque.
Portanto, o TP Mazembe, tem tudo para vencer o jogo da segunda mão no seu reduto. Tem um historial, jogadores a altura, técnica e fisicamente bem dotados, e adeptos que fazem muito bem o papel do 12º jogador.
Por isso e por tudo aquilo que os jogadores do 1º de Agosto fizeram no jogo da primeira mão, atribuo-lhes 35% por cento de probabilidades de vencerem o desafio e, quiçá, a eliminatória.
As mais de 45 mil almas que se deslocaram ao estádio 11 de Novembro, no passado sábado, foram traídas, pois todos ou quase todos acreditaram que os militares marcassem, pelo menos, um golito e saíssem vitoriosos, para encararem o jogo de resposta com mais serenidade.
Por outro lado, ofensivamente o 1º de Agosto, decepcionou. Numa competição do género, é inconcebível que uma equipa que atinja esta fase, não tenha jogadores letais no ataque e capazes de colocar em debandada os defesas contrários.
Aliás, este problema também foi claramente notado ao longo do Girabola. Foi pela fraca eficácia dos seus avançados, que o 1º de Agosto teve 12 empates nos 29 jogos que efectuou e marcou apenas 31 golos. Acabou por ganhar o campeonato, porque o seu adversário directo, o Petro de Luanda “contribuiu” para esse feito, por também empatar em 12 ocasiões, embora tenham marcado mais golos.
Portanto, os atacantes do 1º de Agosto actuam como leões sem garras e que só apanham as presas que desmaiam ou entram em pânico, por ouvirem o seu rugido. Que saudades dos velhos tempos, quando no emblema militar desfilavam jogadores como Ndunguidi, Nsuka, Alves, Vieira Dias, Gelson, Ary Papel e outras grandes feras.
Entretanto, apesar desta realidade, o 1º de Agosto pode aproveitar muito bem a percentagem que lhe é atribuída, para surpreender tudo e todos, pois o jogo só termina aos 90 minutos e além disso o resultado nulo obtido em Luanda deixa o TP Mazembe, em maior risco, pois qualquer golo militar obriga-os a marcar a dobrar.
Assim, em função da desvantagem clara, que os militares têm em relação ao seu adversário, só lhes resta uma solução para chegarem as meias finais: usar bem as armas que têm, colocar o histórico do adversário na baú, apostar fortemente no ataque e actuar como camicases, jogando com o espírito de “perdido por um perdido por mil!...
Com uma postura destemida, Tony Cabaça, Massunguna, Bobo, Paizo, Mingo Bille, Mario, Show, Ibukun, Jacques, Nelson da Luz, Bwá e outros, podem muito bem vergar o TP Mazembe, em sua própria casa. Vamos a isto rapazes. Atacar, atacar, atacar!... Augusto Fernandes

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