Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O que trazem senhores?

25 de Novembro, 2016
A Federação Angolana de Futebol, a mais mediática das associações desportivas do País, não necessariamente a mais bem-sucedida, vai a votos no próximo dia 17 de Dezembro para substituir a direcção de Pedro Neto, um dos consulados mais turbulento da história daquela associação.

Na corrida, três candidatos, José Luís Prata, Artur Almeida e Osvaldo Saturino de Jesus. De comum, todos já foram vice-presidentes da Federação Angolana de Futebol. Prata e Jesus por mais de uma vez e em diferentes direcções, e Artur Almeida apenas por uma vez, como vice-presidente para o Futebol Jovem.

Nesse exercício nos propomos a descortinar o que é que cada um dos senhores pode oferecer à Federação Angolana de Futebol, e a sociedade futebolística de um modo geral. A base desse exercício terá de ser o desempenho de cada nas anteriores direcções. É certo que podemos pecar dado que uma coisa é responder por uma área específica outra é ser a locomotiva do comboio. De qualquer modo, há sempre uma base para o exercício a que nos propusemos, dado que na curta margem ou espaço que habitualmente é oferecida aos vice-presidentes, podemos aferir da capacidade ou não assumir tarefas cimeiras ou maiores.

De José Luís Prata, espera-se uma pessoa desbravadora de caminhos, capaz de farejar dinheiro onde ele estiver para levar à FAF, assim como se lhe conhece uma extensa rede de amizades, em Angola como no estrangeiro, razão pela qual teria poucas dificuldades para se inserir no meio futebolístico internacional e nacional.

É dos poucos entre os três que pode bater no peito e dizer que conseguiu resultados como nenhum outro. Integrou os consulados de Justino Fernandes, o mais-bem sucedido, tendo estado na ida dos Palancas Negras ao Mundial e CAN'2006. Tem igualmente o seu selo na presença inaugural dos Palancas Negras numa fase final do CAN, em 1996, na África do Sul. Terá sido ele aliás quem indicou o treinador que protagonizou esse feito, Carlos Alhinos. É aberto, franco e directo na sua abordagem, muitos consideram-no de personalidade difícil. Talvez esse seja o seu maior “ pecado”. Será no entanto suficiente para as pessoas não votarem nele?

Osvaldo Saturno de Jesus, é difícil saber o que pode trazer de novo à FAF, é co-responsável do estado actual da Federação Angolana de Futebol, foi inclusive quem deu a cara na saída abrupta do treinador Romeu Filemon, na altura em que os Palancas Negras lideravam o grupo, qualificativo para o CAN e Mundial da Rússia. Na anterior passagem, também não se lhe conhece trabalho que seja palpável. É mais fácil recordarmos que foi um grande jogador, melhor marcador de futebol, mas sobre gestão futebolística, na FAF como no Petro, conhece-se zero. Esse vazio de feitos não será suficiente para se dizer “não” a Jesus?

Artur Almeida é igualmente batalhador, capaz de desbravar a terra. Inventar soluções para levar dinheiro à FAF. O pouco que fez no seu Victoria do Sambizanga talvez seja suficiente para se aferir o seu amor ao futebol. É aberto, cortez no trato e capaz de dar ouvidos aos adjuntos. Pode no entanto não conseguir abrir determinadas portas, assim como alguma dificuldade para se inserir no mundo do futebol. Será no entanto suficiente para acolher votos?

Teixeira Candido

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