Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O reconhecimento que falta

21 de Abril, 2018
O Mundo do desporto é dos que mais produz celebridades ao redor do globo. Desportistas como Pelé, Maradona, Jean Jacques, Lutonda, Ndunguidi, Palmira Barbosa e outros são um grande exemplo disto.
É verdade que para atingirem o estrelato tais personagens tiveram e têm de aplicar-se a fundo para se destacarem dos demais como vemos no caso de Leonel Messi e Ronaldo que têm dominado o Mundo do futebol nos últimos dez anos com cinco indicações de melhor jogador para cada um.
Entretanto, apesar do mérito para se atingir o estrelato ser do atleta, existe um grupo de pessoas que exercem grande influência para que o estrelato se consuma, se torne um facto: os homens da imprensa!
A força ou influência que a imprensa quer falada, escrita, televisionada ou fotografada exerce em produzir estrelas é tão grande para passar despercebida na maior parte dos casos, não só em Angola como em todo o Mundo.
Dificilmente ouvimos ou vemos os homens da imprensa desportiva serem homenageados por tudo que fazem ou fizeram em prol do desporto, como acontece com os desportistas ou outros artista. Podemos dizer que a imprensa é como o alicerce onde se constroem as celebridades do mundo do desporto e não só.
Todos nós somos testemunhas da influência que a imprensa exerce na publicidade de eventos desportivos, em convencer as pessoas a se deslocarem aos estádios em moldarem a opinião dos amantes do desporto sobre a qualidade de um jogador e assim por diante.
Assim, muitos atletas atingiram o estrelato e outros não porque a imprensa exerceu a sua poderosa influência. Então não podemos simplesmente nos esquecer dos feitos destes homens e mulheres que andam lado a lado com os desportistas promovendo-os durante anos a fio.
Tendo em atenção estes pormenores que acima me referi seria muito bom que nas galas de fins de campeonatos quando as federações indicarem os melhores da época desportiva em determinada modalidade, os homens da imprensa ligados às respectivas modalidades que se tenham destacado também fossem premiados.
Por outro lado existem empresas singulares ou públicas que muitas vezes prestam tributo a antigos desportistas, músicos, escritores e outros que exerceram influência positiva em diversas áreas da sociedade, porque não fazê-lo também para os antigos jornalistas quer estejam vivos ou não?
Será que homens da impressa como um Rui de Carvalho, Francisco Simons, Adão Gabriel, Mateus Gonçalves, Manuel Rebelais, Policarpo da Rosa, Gil Tomas, Almeida Totas, Francisco Bernardo, João Carlos, Rogério Tuti, Nuno Flash, Luís Caetano, José Sequesseque, e outros não merecem um reconhecimento publico por tudo que fizeram ou fazem pelo desporto?
Quem ouviu os relatos de Rui de Carvalho, e a forma em que comentava e analisava uma partida tem alguma dúvida de que o homem merece o nosso tributo? Lembram-se da força que os relatos de Manuel Rebelais ou Mateus Gonçalves davam aos ouvintes quando Angola estivesse em campo? Que dizer dos relatos do João Carlos ou do Vaz Kinguri? Não nos esqueçamos dos comentários de um Oliveira Campos ou das crónicas de um Leonel Libório.
Todos eles trabalharam em momentos de muitas dificuldades e o jornalismo era das profissões mais desprezadas em Angola. Mesmo assim, homens como Ângelo Silva, Alexandre Gourgel e outros montaram o primeiro jornal desportivo do país depois da independência: o famoso Jornal Desportivo Militar (JDM)
Portanto, acredito que é chegada a hora de os promotores de eventos com finalidades de homenagear ou fazer um reconhecimento público a individualidades ligadas a vários estratos da sociedade passarem a lembrar-se também dos homens da imprensa desportiva.
Lanço um desafio ao nosso amigo Osvaldo Bravo, o pivô do programa voz dos kotas da Rádio-5 para não se limitarem a prestar tributo apenas aos artistas do futebol mas também que passem a convidar e falar dos homens da imprensa que promovem ou promoveram o desporto em Angola.
Por outro lado, aproveito esta oportunidade para sugerir que aquele programa dos kotas não se limite simplesmente a falar do futebol, pois o desporto em Angola não é só futebol. Seria muito bom ouvirmos histórias de outras modalidades como o Basquetebol ou andebol contadas por antigos praticantes ou testemunhas oculares dos acontecimentos.
Sou de opinião que todos os profissionais que se tornem bons exemplos naquilo que fazem merecem um reconhecimento público para incentivar os demais a enveredarem pelo mesmo comportamento o que seria muito bom para a nossa sociedade que muito precisa de bons exemplos.
AUGUSTO FERNANDES

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