Jornal dos Desportos

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Opinio

O regresso s conquistas

06 de Setembro, 2013
Tudo porque julgo existirem ainda razões para que possa juntar a minha voz à daqueles que em jeito de tributo escreveram sobre a mais recente conquista em Abidjan.

Uma das razões está justamente no título deste texto, ou seja, a vitória dos comandados de Paulo Macedo reflecte o regresso às conquistas ou, como o Pedro Augusto postou numa rede social, a reposição da legalidade.

Com a devida permissão do “plágio” quanto à adjectivação “reposta a legalidade”, digo que ela vai para além da simples reconquista da taça, que Angola perdeu para a Tunísia na edição anterior, realizada em Antananarivo.

No referido campeonato (a propósito o Teixeira Cândido escreveu algo na coluna Linha D’Água, desta quarta-feira), a anterior direcção da federação angolana da modalidade fez o favor de “inventar a fórmula Michel Gomez”, que permitiu que Angola fosse despojada da hegemonia que detinha na modalidade, em relação à interrupção de conquistas que estavam fixadas em seis, consecutivas.

A reposição da legalidade, na minha opinião, fundamenta-se no facto de a direcção da FAB voltar a apostar na “prata da casa”, referência que vai para Paulo Macedo.

Por sua vez, o ex-base do 1.º de Agosto e da Selecção Nacional, que igualmente se estreou como técnico principal dos militares, reconquistando o título do BAI Basket, edição 2012/2013, não fez nada mais que resgatar e pôr em evidência um dos fundamentos básicos do basquetebol angolano, assente na defesa aguerrida, que é uma das marcas do sucesso de Angola que, quando é certeira no lançamento exterior, dificilmente é parada, seja qual for o adversário.

Quero com isto dizer que no regresso à defesa agressiva residiu parte do segredo para a conquista do hendecacampeonato. Ademais, funcionou como valor acrescido a percepção do treinador que não teve dúvidas em acreditar que jogadores como Olímpio Cipriano e Carlos Almeida, sem desprimor para outros, ainda representam valias para o conjunto nacional.

E porque citei o nome do capitão do “cinco” nacional, abro parêntesis para desvendar um segredo que guardo há muito tempo, e está relacionado com a opinião de uma amiga minha, hoje a residir em Londres, para quem Carlos Almeida é o melhor jogador de todos os tempos do basquetebol angolano.

Claro está que a sua opinião, para além dos fundamentos que ela conhece melhor que qualquer outra pessoa, deve ser apreciada e interpretada no quadro da diversidade que é possível existir na convivência social.

Recordei esta “dica” que a minha amiga me deu na década de noventa, quando ouvi as referências feitas por Carlos Morais em relação à capacidade de liderança que Carlos Almeida demonstrou no balneário, considerada pelo MVP da prova como o melhor que já viveu durante o tempo que tem nestas coisas de selecção.

Recordando que Carlos Almeida não participou do deslize da edição anterior, o seu regresso é também um elemento de força para a conquista do dia 31 de Agosto.

E ao enunciar a data, vem-me à memória outro factor nacional, porquanto se comemorava no mesmo dia da conquista do hendecatítulo, o primeiro aniversário do terceiro pleito eleitoral realizado na República de Angola, enquanto Estado democrático e de direito, do qual, as conquistas, sejam de que índole forem, sempre hão-de fazer parte da sua memória descritiva. Bem haja o regresso às conquistas.
CARLOS CALONGO

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