Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O regresso do Domant

05 de Setembro, 2017
Na passada terça-feira, 29 de Agosto, abordei a questão do novo paradigma no que tange a criação de clubes cujas despesas são suportadas por iniciativas privadas, numa alteração do formato a que nos habituamos durante largos anos e que ditou a definição do peso que têm no mosaico desportivo local, os chamados \"papões/grandes\". A dada altura interroguei a possibilidade de surgimento de novos projectos privados, considerando o quadro de limitações económico e financeiro advindo do momento que o País atravessa.

Dito de outro modo, concluí que, pelo andar da carruagem, não vislumbrava para tão cedo, a aparição de novos projectos que se igualassem, (ainda que não em conteúdo mas talvez em forma), aos emergidos e chancelados pela vontade de Bento Kangamba e Rui Campos, que designadamente \"pariram\" o Kabuscorp do Palanca e o Clube Recreativo do Libolo.

Tudo porque, na minha opinião, entre as acções estaduais revestidas de carácter urgente, faz sentido entender que o futebol, dado o seu carácter de mais despesista que produtor de riqueza, não esteja agenciado na lista das prioridades e, atenção, pois não disse, importantes, sabendo que o futebol tem a sua importância social.

Também disse no referido texto que, \"seja pelo que for, a certeza é que o desporto jamais morrerá na nossa sociedade, independentemente da sua hegemonia estar na nova tendência ou voltar-se à forma originária\"!.. A sustentar a certeza supradita, não sendo propriamente um projecto novo, - pois existe desde 23 de Maio de 2005-, está o contributo do senhor Domingos António, cujas inicias do nome de registo, designam a equipa do Domant Futebol Clube da Vila de Bula Atumba.

Sobre esta equipa, ocorre-me saudar o seu regresso à prova maior do futebol angolano, o que corresponde a satisfação da população da referida região que voltará a assistir in loco, o que de melhor existe no futebol angolano, que fará desfilar no Estádio Municipal do Dande, equipas como o 1º de Agosto, Petro de Luanda, Libolo, Asa, Kabuscorp, Inter, Sagrada Esperança, etc.

É o regresso do futebol às terras do jacaré bangão, por via da persistência do Ti Mingo, mentor do Domant Futebol Clube de Bula Atumba, cuja estreia no Girabola aconteceu na época de 2015, em que, dos 27 jogos disputados consentiu 19 derrotas, empatou três e venceu cinco, sendo quatro em casa e apenas um fora do seu reduto.

Como que um exercício de boa teimosia, o regresso ao primeiro escalão nacional, dois anos depois, pode simbolizar o amadurecimento do projecto de uma equipa que, se calhar, volta para ficar entre as habituais participantes da maior competição do futebol doméstico. Espera-se, portanto, que factores extra desportivos não venham a perturbar a presença da equipa que representa a província geograficamente mais próxima da capital do País, merecedora de participar na festa do desporto rei, enquanto desejo da multidão, cuja paixão se inflama com a festa da bola.

No que considero factores extras desportivos figuram os de ordem financeira que têm sido uma constante nas últimas edições do campeonato nacional, - o exemplo mais recente consumou a falta de comparência da equipa do Progresso da Lunda Sul, em casa, em jogo que havia de disputar frente a \"homóloga\" do Sambizanga”.

Todavia, não conhecendo nem de longe a capacidade logística e financeira da equipa do Domant, estou em crer que de lá não se ouvirão ameaças de desistência por falta de dinheiro, pois não fosse isso, a persistência na subida de divisão seria um esforço inglório e até comprometedor da personalidade do proprietário do Clube, que deve merecer o apoio de todas as forças vivas da província que ganha mais um motivo de animação sobretudo ao fim de semana. Bem-haja Domant.
Carlos Calongo

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