Jornal dos Desportos

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Opinio

O retorno praa srvia

16 de Dezembro, 2017
Com o CHAN já à espreita e a escolha do novo seleccionador nacional de honras, pela Federação Angolana de Futebol (FAF), a recair para Srdjan Vasiljevic, resta agora saber se o sérvio terá tempo suficiente de estruturar um plantel capaz de fazer boa figura nesta prova reservada apenas a jogadores que evoluem nos campeonatos dos respectivos países. De certeza, esta é a grande questão colocada pelos prosélitos da modalidade.
A faltarem precisamente 28 dias para se dar o pontapé da saída desta competição, que terá lugar no Marrocos, eu não acredito que o novo timoneito dos Palancas Negras consiga, neste curto espaço de tempo, preparar a equipa ao nível que todos ansiávamos.
Uma equipa bem entrosada entre os sectores e capaz de dar resposta à dimensão dos adversários que cruzam o caminho de Angola no Grupo D na primeira fase da competição e que não se afiguram como pêra-doces.
Camarões, Burkina Faso e Congo Brazzaville são os três conjuntos com que o combinado nacional vai medir forças no primeiro turno do CHAN-2018 e daí que todas as cautelas são poucas. Os adversários de Angola começaram o ensaio mais cedo.
Acredito que os \"Leões Indomáveis\" camaroneses assumem-se como os mais sérios candidatos a alcançar a primeira posição do grupo, ao passo que os \"Cavalos\" burkinabes, com que Angola se estreia a 16 de Janeiro, são os fortes concorrentes dos Palancas para outra vaga à etapa subsequente. Mas trata-se apenas de conjecturas.
A turma congolesa de Brazzaville, apesar de ser, à partida, um adversário de quilate inferior, vai, na certa, tentar complicar ao máximo a tarefa dos Camarões, com que se estreia na mesma data e depois a do Burkina Faso e Angola, nos dia 20 e 24.
E digo isto porque no desporto-rei já ficou provado por A+B que equipas tidas como menos capazes as vezes criam dissabores aquelas rotuladas como mais capazes. Ademais, o futebol é aquela caixinha de surpresas onde não há vencedores antecipados.
Noves fora esses factores que se prognosticam em relação aquilo que pode ser a prestação dos adversários de Angola nesta campanha do CHAN, posso aqui aferir que o novo selecionador nacional têm consciência da ingente missão que lhe espera na prova.
O técnico Srdjan Vasiljevic, que vai ter como adjuntos o seu compatriota Miroslav Maksimovic, o angolano e Silvestre Pelé e um terceiro elemento até agora em negociações com a FAF, não tem muito por que pensar.
Por ter, à partida, o auxílio do seu compatriota, que já treinou no país o Petro de Luanda, e de Silvestre Pelé, que até bem pouco tempo esteve a frente dos destinos da Académica do Lobito, estes poderão ajudar a encontrar as melhores opções no plantel.
É verdade que o tempo que resta é deveras escasso, mas ainda assim não se pode perder de vista o facto de os Palancas Negras terem à sua disposição um naipe de jogadores capaz de em momentos cruciais marcar a diferença neste CHAN.
Isto é o que os angolanos mais desejam se tivermos em linha de conta, o retardar do início da preparação do combinado nacional, cujos jogadores apenas ontem concentraram-se numa das unidades hoteleiras da capital do país, Luanda.
Angola que pela terceira vez marca presença nesta montra do futebol africano reservado apenas a jogadores que actuam nos campeonatos dos respectivos países, tem, por assim dizer, responsabilidades acrescidas.
Depois de na sua estreia, em 2011 no Sudão, ter conseguido, o honroso segundo lugar, fruto da disputa da final do certame, em que perdera para a Tunísia, e da presença cinco anos no Rwanda, em que não passaram da primeira fase, os Palancas Negras têm, agora, uma nova chance de provarem o que realmente valem. Mas isto só se vai efectivar caso façam da excelência uma divisa.
O técnico Srdjan Vasiljevic, que se torna, assim, o 31º seleccionador nacional de honras e o terceiro da praça sérvia a entrar nas opções dos Palancas Negras, tem pela frente esta árdua missão de fazer com que o conjunto atinja esse desiderato no CHAN.
Aliás, no acto da sua apresentação oficial como novo timoneiro dos conjunto nacional, a 8 deste mês, Srdjan Vasiljevic prometeu recolocar o futebol angolano nos mais altos patamares, isto na sequência do trabalho iniciado pelo hispano-brasileiro Beto Bianchi.
O seu antecessor abdicou da Selecção Nacional para se dedicar exclusivamente ao Petro de Luanda, agremiação com que conquistou dois segundos lugares no Girabola Zap, respectivamente em 2016 e este ano, assim como a presente edição da Taça de Angola.
Contudo, face aos últimos revezes com que se vem confrontando o futebol nacional espera-se, efectivamente, que o sérvio Srdjan Vasiljevic seja, de facto, uma mais-valia para os Palancas Negras, que correm em direcção a uma nova era da sua história.
As expectativas com a contratação pela FAF de Srdjan Vasiljevic são enormes, pois depois das passagens pelo conjunto de Dusan Kondic e Vesselin Vesco, esta é terceira vez que um técnico da praça sérvia assume o comando dos Palancas Negras.
Na legião dos 31 técnicos que passaram pela seleccão nacional é importante realçar que em 16 ocasiões a escolha recaiu para angolanos, quatro para brasileiros, igual cifra para portugueses, duas para sérvios e outras duas para jugoslavos.
Enquanto isso nas restantes três ocasiões as opções foram para treinadores das praças argentina, francesa e uruguaia, designadamente.
Agora resta é esperar que nesta nova aventura num CHAN e mais concretamente nesta nação do Magreb, em que frequentas vezes os nossos Palancas marcaram presença, se dê início a mais um ciclo vitorioso do futebol angolano. Todos aficcionados da modalidade no país, obviamente, clamam por isso e a expectativa é enorme!!!...
SÉRGIO V.DIAS

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