Jornal dos Desportos

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Opinio

O silncio conivente

25 de Julho, 2019
Por altura da campanha eleitoral para a sucessão do general Pedro Neto, no cadeirão máximo da Federação Angolana de Futebol, eu prestava serviço como comentador de uma estação televisiva local, na área desportiva, tarefa que sempre desenvolvi com elevado espírito profissional e sentido de missão, sem qualquer tipo de vanglória.
Não abdicava da necessidade de expressar o que me ocorria, da forma que quisesse, claro, nos marcos do respeito da ética e da moral, enquanto normas de considerável valor na sã convivência social, que infelizmente muitos de nós fazem tábua rasa, subalternizando-as na busca desmedida dos seus intentos materiais. Talvez a minha forma de ser e estar num “metier” encoberto de alguma máfia em que quase não poupa ninguém, desde os dirigentes, árbitros, treinadores, jogadores e até mesmo jornalistas, promoveu o meu afastamento de forma “soft”, ou seja, sem qualquer tipo de aviso prévio, o que também pouco ou nada interessa nesta altura, pois a vida continua.
E nada que se entenda como lamentações ou dores de cotovelo, porquanto esta narrativa tem a sua lógica, que vai remeter o prezado leitor à conclusão do que já na altura pensava, em relação a aventura de Artur Almeida candidatar-se ao cargo de presidente de direcção da FAF, órgão que, em alguns casos, chega a ter mais “poder” que certos departamentos ministeriais.
Daí pôr-me a recordar que, na aludida altura da apresentação dos programas eleitorais, julgando estar a me pronunciar de forma tão linear, quanto recomenda o exercício da análise de discurso materializada no comentário mediático, disse qualquer coisa como isso mesmo: “Não acredito muito no projecto de Artur Almeida, sobretudo pelas pessoas apresentadas como integrantes de uma bolsa de conselheiros, constituída por kotas, à quem a prudência já recomendava gozar a merecida reforma, por tudo que haviam dado pela Pátria que nos une como irmão”.
Imaginem o que ocorreu minutos depois! Isso mesmo, várias chamadas telefónicas, até de pessoas que nunca imaginei terem o meu contacto, o que também não é de estranhar nesta altura da sociedade aberta e impregnada na máxima “ é proibido proibir”.
Recordo-me ter atendido apenas um deles, no caso o Cândido Fortunato, a quem trato por “amigo de pai e mãe” e tem autorização para falar comigo da forma como que quiser, sem os excessos capazes de ferir a sensibilidade, aliás, possibilidade descartada, dada a educação que o mesmo nutre do berço e das experiências da vida e da idade.
Com ele falei tudo no maior “fair play”, o que não aconteceu com os outros, que falaram tudo e mais o resto, na tentativa de arrancar de mim um discurso de arrependimento ou pedido de desculpas, diziam eles, aos “mais velhos”.
No fundo, o que pretendiam era apenas agradar o tal grupo de pessoas que, na minha análise, foram colocadas na lista de forma estratégica, apenas para respaldar o projecto em causa, pois verdade seja dita, na altura, os kotas em referência surda, tinham muito peso para influenciar o necessário.
Consumado o projecto, na vertente de que apenas se resumia na vitória eleitoral, a aposta foi ganha, mas o mesmo não se pode dizer, a considerar o entendimento que tenho de que o futebol angolano não se satisfaz apenas nas movimentações nos corredores da FAF. Não tardou as “makas” começaram, e ainda que de soslaio, assistimos “deserções” de companheiros de trincheiras, alguns deles feitos cabo-de-guerra no período eleitoral.
Fez-me alguma espécie, que uma das pessoas que ligou para mim a sugerir que me retractasse, tenha sido das primeiras a abandonar o barco, o que de pronto atiçou a minha curiosidade, levando-me a perceber que os momentos subsequentes seriam mais turbulentos do que se pensava, e eis que o filme está aí para ser assistido de graça por quem quer. Carlos Calongo

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