Jornal dos Desportos

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Opinio

O silncio no Girabola

28 de Julho, 2017
Não há memória de um Girabola silencioso. Em particular, a segunda volta, para alguns treinadores é a altura dos dirigentes.

Momento em que esses entram em acção, assumiu uma vez o então treinador do 1º de Agosto, Ian Brouwer, justificando a perda do Girabola de 2007 para o Interclube. Embora não tivesse dito a forma como se movimentavam, porém quem segue o fenómeno sabe que eles influenciavam os resultados, aliciando os árbitros.

Muitas denúncias públicas confirmam-no. No entanto, parece haver um virar de páginas. Digo parece, pelo silêncio quase absoluto sobre a matéria. Não é comum, os últimos anos foram de uma gritaria sem tamanho. Os grandes sempre estiveram no centro das atenções, os pequenos apenas quando estivessem em jogo a permanência de divisão.

Felizmente para o bem da verdade desportiva, integridade do futebol e o respeito pelo trabalho dos treinadores. Os treinadores voltam a ganhar espaço, consideração e tudo o mais que eles merecem. Não houve nenhum milagre na base disso. No centro disso está a questão financeira, os clubes têm hoje menos disponibilidade para colocar à disposição dos árbitros, de tal sorte que os clubes (muitos deles) não são capazes de honrar os seus compromissos com os prémios dos árbitros.

Estão a falar dos prémios regulamentares, aqueles que mesmo a FIFA dá aos árbitros nas suas competições. Entre os devedores encontram-se alguns que se gabavam ser grandes, com loucuras de todo o tipo.

Hoje, nem os prémios são capazes de pagar quanto mais para distribuir. A par disso, o actual Conselho de Árbitros decidiu, e bem, publicitar os árbitros sancionados. É justo, respeita aliás o princípio da igualdade. Os castigos ou sanções de jogadores, treinadores e presidentes são públicos, logo os dos árbitros também deviam ser.

E felizmente hoje são. Para bem do futebol. Da transparência. Do Conselho Central de Árbitros. Que desse modo, retira a ideia de ser conivente, para não dizer mesmo \" patrocinador\". Um sinal de todo simples. Porém com efeito de dimensão transcendental. Claro está não basta, pode ser provisório, mas pior é ficar de braços cruzados. Sabemos da força do dinheiro e da dureza da fome. Não há muitos Ghandis. É contudo um caminho que se abre, já que os clubes não se disponibilizam a tal. Paixão Júnior, presidente do Progresso do Sambizanga, propôs um dia \"pacto de sangue\" entre os clubes com vista á expurgar essa prática, mas ninguém lhe deu ouvidos.

Os grandes assobiaram de lado. O Ministério Público acha que o assunto não lhe diz respeito, assim continuou a problema até chegar a senhora crise. Uma senhora sem contemplações que ameaça inclusive tirar o véu dos ditos grandes clubes, mas que parecem andarem agora nuns, que nem a história do Rei vai nu. Seria bom que a competição acabasse desse modo, sem acusações, com os jogadores a apenas como os principais actores e nada mais. A FAF, uma palavra de incentivo. Os clubes um conselho: trabalhem e vivam apenas do que fazem em campo. Aos árbitros sejam dignos da farda que vestem. E todos outros, o melhor para o futebol é o fim desse esquema. Ganham todas as pessoas engajadas na actividade. Seria bom.
Teixeira Cândido

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