Jornal dos Desportos

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Opinio

O silncio conivente (fim)

01 de Agosto, 2019
Involuntariamente, o texto da semana passada foi publicado sem a referência de que seria a primeira de duas partes em que o tema “O silêncio conivente” era o fulcro, pelo que se faz necessário endereçar ao prezado leitor, o formal pedido de desculpas pelo referido erro, que como os outros dizem, é próprio do ser humano.
Nesta que é a segunda e parte final do texto, a abordagem continua nos termos em que, depois de ter ganho as eleições, quase que em romaria, assistiu-se um descaso entre as palavras e os actos, que denotavam falta de pragmatismo dos novos inquilinos do imóvel em funciona a Federação Angolana de Futebol (FAF).
A título de exemplo, a figura de director técnico ou desportivo (?) apresentada como um dos estandartes da campanha da lista vencedora, nunca chegou a sair do papel, o que por si também constituiu num elemento de derrapagem em relação ao cumprimento do plano eleitoral.
Do princípio teórico segundo o qual “a diferença reside no pormenor”, faria todo sentido perceber que, afinal, o futebol angolano, que reclama(va) por uma reviravolta quase na ordem de 360º, não está(va) nas mãos das pessoas cujo compromisso com a causa é similar ao valor exponencial que a modalidade representa para a nossa sociedade.
Dito de outro modo, a confiança eleitoral depositada ao elenco de Artur Almeida aos poucos se esfumava, diante de um conjunto de coisas negativas ocorridas num exíguo espaço de tempo que, por regra, seria ainda o de radiografia do sector, fora da análise feita num ambiente exterior. Não vou, portanto, voltar a referir o assunto que fechou o texto inaugural, relacionado com as “deserções” de integrantes da equipa que, ao que se diz, deram muito e mais alguma coisa, para que a campanha tivesse o êxito que teve, redundando na vitória do elenco comandado por Artur Almeida e Adão Costa.
Se calhar faz algum sentido falar da área de comunicação e marketing apresentada também como nevrálgica para a “revolução “ que o futebol angolana clama(va), cujo responsável inicial preferiu, igualmente, encontrar novos rumos, sem que oficialmente fossem conhecidas as razões objectivas que motivaram tal (mais outra) deserção.
Entre todos os sinais indicativos de que muita coisa não estava bem, sobrou o resultado do campo desportivo, que permitiu à alguns dos dirigentes ornamentarem os discursos e pensar que, o facto dos Palancas Negras regressarem ao Campeonato Africano das Nações (CAN), estava tudo (re)posicionado nos píncaros da glória, esquecendo que Angola já conquistou feitos maiores e, nem por isso, os seus obreiros embandeiram em arco. Hoje por hoje, e só não vê quem não quer, os problemas no e do futebol angolano persistem, cada vez mais notáveis na falta de harmonia nos corredores da federação, a ausência de diálogo salutar com os clubes, para não falar das Associações Provinciais, da modalidade (existem mesmo?).
Ao que parece, a FAF privilegia o diálogo directo com os clubes, até em questões como a inscrição de atletas, que não passa do mero preenchimento de uma ficha, facto que pode produzir o sentimento dos clubes subalternizarem as respectivas Associações Provinciais. Enfim, e como dizia o outro, “está tudo a toa”, e mais grave que isso, é que os culpados são blindados por pessoas que para além de não perceberem o papel elevado da comunicação social, na perspectiva de construção da sociedade, usam os referidos meios para dizer que o culpado é inocente, sendo válida a operação inversa.
Se é que existe alguma norma de razão que nos obriga, subsidiariamente, à submissão perante o quadro actual que o futebol angolano apresenta, também se deve abrir espaço para a condenação do silêncio conivente de quem devia falar e não o faz, permitindo a conclusão de que somos todos culpados, o que não é bem assim. Carlos Calongo

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