Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O ttulo militar e outros (dis) sabores

23 de Maio, 2019
1. Com o Girabola encerrado, (apesar de ainda não homologado pela Federação Angolana de Futebol), ao Petro de Luanda resta (va) conquistar a Taça de Angola, (este texto foi escrito antes da realização do jogo de ontem,), para amenizar a dor de mais uma época em branco, coisa nada simpática para um clube à sua dimensão.
E, ainda que tenha conseguido o apuramento para a final, para salvar a época, o clube do \"Eixo-viário\" terá de confirmar a vitória em campo, o que nem sempre é possível, a considerar a peculiaridade da Taça que é uma competição prenhe de surpresas que muitas vezes cria dissabores, pois nem sempre a equipa tida por favorita vence. Fora deste quesito e pela imposição de voltar a olhar para o objectivo principal do texto resumido no título, apesar de ter sido já suficientemente consumidas as incidências do jogo que consagrou o 1º de Agosto como tetra campeão nacional, existem outras razões que me levam a discorrer sobre o feito alcançado pelos pupilos de Dragan Jovic.
Começo com o sabor de ser algo inédito nas hostes militares, a conquista do tetra, o que por sí só elenca um sabor diferente ao título alcançado entre algumas coisas pouco claras que aconteceram ao longo da época, com maior incidência para a “novela dos 3 pontos”, de que muito já se falou.
Trazendo à ribalta o facto de o 1º de Agosto conquistar o ceptro sem consentir qualquer derrota no campo competitivo, para além de ser um record no contexto do futebol angolano, eleva o sabor do título, por encerrar um ciclo de 56 jogos sem derrotas nas competições internas, facto para figurar no Guinness do futebol local.
De regresso ao nosso ordenamento desportivo, o sabor da vitória dos militares pressupõe um dissabor maior ao arqui-rival, Petro de Luanda, que assim completou uma década sem provar o sabor da conquista do Girabola, igualando o maior tempo de jejum por que passou o clube do Rio Seco.
Tem igualmente outro sabor, o facto de ser um campeonato ganho com a melhor defesa, ou seja, a baliza menos batida, o que faz de Tony Cabaça, indubitavelmente, o melhor guarda-redes da actualidade, pela lógica de quem ganha, para além de ser o verdadeiro “guarda da trincheira militar”, violada apenas em nove ocasiões.
E porque falei em baliza, o décimo terceiro título consagrou Mabululu como o melhor marcador da competição, destronando o abono de família dos tricolores e, se calhar, esse facto fez afrouxar a romaria em torno de uma provável naturalização de Tiago Azulão, na perspectiva de servir a Selecção Nacional, ao que alguns disseram, já no CAN do Egipto.
Não fosse, Mabululu, produto de formação do Petro de Luanda (pelo menos foi de lá que o conheci com potencial para o futebol), a dor seria menor caso a dinâmica da vida do desportista não o levasse ao maior rival de todos os tempos, com todo o dissabor que situações do género provocam, com maior ou menor grau de aceitação.
Outro sabor precioso colhido pelos militares reside no facto de, com a excepção do “expatriado” Bobo, todo o sector defensivo do clube ter sido convocado para a pré selecção que prepara o Campeonato Africano das Nações, a ser disputado a partir do dia 19 de Junho próximo, no Egipto.
Finalmente, uma nota de dissabor pela pobreza da cerimónia de consagração do campeão que não teve qualquer tipo de alegria, para além da fraca qualidade da Troféu, envolvido num saco de plástico, verde, para não falar da ausência notável do número um do órgão reitor da modalidade que, salvo as razões que desconheço, o deixaram mal na fotografia, e provocou as suspeições que valem o que valem.
E nem vou falar do (dis) sabor de ter sido um campeonato em que uns foram bafejados a secretaria, outros nem tanto assim, numa espécie de tratamento de filhos e enteados, o que também contribuiu para a imagem pálida que a Federação Angolana de Futebol projectou para si mesma. Carlos Calongo

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