Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O Tresr, o Kangamba, a montanha e o rato

17 de Abril, 2015
Não é novidade para ninguém da nossa época, que em 2009, o mundo desportivo protagonizou o que na altura ficou conhecido como a transferência mais cara de um jogador de futebol. Cristiano Ronaldo mudava-se do Manchester United para o Real Madrid. Ou seja, do Ol Traford para o Santiago Bernabeu por 80 milhões de libras esterlinas (94 milhões de euros).

Não tendo havido antes um contrato tão milionário, muitos deixaram cair o queixo, com o receio de o jogador português não ter um rendimento que justificasse tamanho investimento. Mas, entre a dúvida e a certeza, tinha de se esperar para ver. Entretanto, de lá para cá, o filho da Ilha da Madeira tem justificado plenamente o elevado custo do seu passe.

No Real Madrid, Cristiano Ronaldo, é o que se diz verdadeiro “abono de família”, aquele que carrega às costas a equipa, que joga e faz jogar os seus companheiros, que luta até ao limite pelo resultado, que se sente tomado pelo inconformismo enquanto não escancara as redes contrárias, enfim. Por tudo isso, há muito justificou os milhões envolvidos na sua contratação.

É certo que todo atleta, e disto ninguém ousa colocar dúvidas, por mais excelente que seja, tem sempre aquele momento NÃO, ou de baixo rendimento como se queira entender. É assim no futebol, no basquetebol, no andebol, no ténis, na Fórmula 1. E CR7 não sendo um super-homem, vezes sem conta também passou por essa fase, mas sem nunca deixar os créditos em mãos alheias, tampouco a reputação beliscada.

Em meio da rivalidade, que protagoniza com Lionel Messi, alguns às vezes nas suas análises comparativas, pouco sustentadas, procuraram subtrair-lhe o valor, anavalhar o mérito e a honra. Mas tem sido tudo na base de argumentos evasivos e fúteis de gente que com algum narcisismo, olha mais para a própria cara, enaltece o seu e desdenha o alheio. Mas ele com o seu toque hábil de bola e apurado faro para a baliza, sempre conseguiu chamar esses à razão. Portanto, contratações como estas não só satisfazem quem apostou e investiu o seu capital, como também os próprios consumidores do espectáculo futebolístico, a quem interessa o futebol competitivo, eivado de qualidade, o que só se consegue na presença de jogadores dotados e que fazem a diferença. Chegados aqui, gostava de saber como resistem os clubes quando investem num jogador que à páginas tantas, não corresponde à expectativa.

Tudo isso vem à propósito da contratação mais mediatizada do nosso futebol, desde que o Girabola existe. A vinda do congolês democrata, Tresór Mputo ao Kabuscorp do Palanca, foi antecedida de uma fanfarra incomparável, porque jamais vista. É como se de novo o génio do homem se achasse perante a descoberta da pólvora. O presidente do clube, Bento Kangamba, que é um homem que “mata a cobra e mostra o pau”, esteve pessoalmente envolvido no processo.

Supunha-se então que com o astro congolês para o clube do Palanca era só arrasar, constituindo a sua aquisição valor acrescentado àquilo que já representava o capital humano da equipa. Na verdade, perante as evidências, atrevo-me a dizer que a montanha pariu um rato. Ou, ironizando, o rato pariu a montanha? Posso ter uma visão enviesada sobre o futebol, mas não vou ser ignorado na tese de que de Tresór ainda não se viu nada de realce.

Pelos valores (não divulgados) envolvidos no processo da contratação, e pelo marketing que envolveu, penso que devia dar mais ao clube e dar nas vistas. Já agora alguém pode dizer quantos golos marcou? Quantas assistências fez que deram em golo? Se formos as estatísticas o resultado é nulo. Na verdade, quem carrega a equipa do Palanca às costas chama-se Albert Meyong. Esse sim, é um verdadeiro senhor que tem sabido justificar os números aplicados na sua contratação.

O próprio Bento Kangamba, por mais que lhe custe admitir, já percebeu que fez um mau negócio. Pois a sua porcelana não exala o suave perfume que se esperava. Aliás, isso era previsível, pois a sua reacção na altura em que se propôs remover montanhas para conseguir o passe do atleta, foi mais emocional que outra coisa.
Agora que ele falha aos treinos, agora que ele aventa a possibilidade de deixar o clube, mesmo a faltarem oito meses para o termo do contrato, o que a consciência nos leva a interpretar, é que o jogador tenha vindo mais no quadro de uma mera operação de charme de Kangamba que propriamente da necessidade de potenciar o plantel. De resto, é o que está subentendido.

MATIAS ADRIANO

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