Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O trilho do nosso futebol

17 de Fevereiro, 2017
Pode parecer ousadia de meter a foice em seara alheia, se não mesmo assumpção de um mórbido desejo de bater demasiado no ceguinho. Mas não temos como nos calar perante uma situação de interesse nacional. A morosidade que se verifica na criação da equipa técnica para a Selecção Nacional A de futebol continua a inquietar-nos, e enquanto o lobo não chega, vamos prosseguir neste jogo de recados à direcção de Artur de Almeida e Silva, mesmo que para tanto nos tome por ratazanas mexeriqueiras.

A notícia sobre a existência de contactos entre a Federação Angolana de Futebol e o técnico Beto Bianchi, actualmente vinculado ao Petro de Luanda, caiu como um balão de oxigénio para todos quantos se identificam como membros da vasta tribo do futebol nacional. Porque o silêncio que até então pairava no ar parecia reflectir algum desinteresse de quem tem, para este caso, o poder de decisão.

Já o havíamos dito em outra ocasião, que tendo a nova direcção da federação herdado um fardo pesado da anterior gestão, e tendo muito por arranjar, talvez ainda não tenha se decidido sobre por onde começar. Mas há coisas que não podem nem devem esperar. São de solução imediata, porque a sua acção obedece à cadência do tempo. Tal é ocaso de pôr os Palancas em acção.

Realmente, não se sabe em que pé terão chegado a federação e o técnico espano-brasileiro, num processo que, por razões óbvias, envolve também o Petro de Luanda. Beto Bianchi é um treinador comprometido com um clube, por sinal de fortes ambições competitivas, e que terá, na certa, metas a atingir na presente época futebolística. Logo, se pode inferir que as negociações não serão fáceis.

Independentemente de como podem estar a decorrer as conversações, aconselha-se que a federação não se concentre apenas num treinador. Deve encontrar alternativas ao "não" do treinador pretendido ou do clube a que está neste momento vinculado. Mais preocupante a meio de tudo isso, é que o tempo urge. Se hoje é Fevereiro, é que contas feitas com algum rigor matemático nos colocam a quatro meses do jogo com o Burkina Faso nas eliminatórias ao CAN'2019.

Trabalho em cima da hora sempre foi apontado como consequência dos nossos sucessivos insucessos competitivos, porque andamos sempre em contra-mão em relação às outras selecções. Ou seja, fazemos sempre as coisas ao inverso. E se é verdade que em tudo as mudanças pressupõem melhorias, o que se espera da nova direcção da FAF é que deixemos de viver de improvisos, que não levam senão ao fracasso.

Qualquer treinador que se preze, tem no tempo um elemento chave do seu trabalho. Pretende-se dizer que, seja quem venha a ser o seleccionador nacional, se tiver pouco tempo de contacto com a equipa, terá no factor tempo motivo para justificar um eventual fracasso competitivo. Os seleccionadores precisam de tempo de adaptação e de contacto com o mercado futebolístico e com os atletas.

Em condições normais Angola devia ter seleccionador antes do CAN'2017, e se lhe proporcionar a possibilidade de acompanhar parte da prova para o necessário estudo do modelo de jogo dos nossos adversários. É evidente que dos nossos parceiros de grupo, apenas um, Burkina Faso, esteve no campeonato. Mas podia se dar o caso de lá estarem os três. Aqui não assacamos culpas a ninguém. Por isso é que falamos em "condições normais", o que não foi o caso, já que a nova direcção acaba de ser empossada.

Porém, temos o Girabola em curso, que teria a particularidade de conferir ao novo homem dos Palancas um domínio mais apurado sobre quem é quem das unidades que evoluem em diferentes equipas que disputam o campeonato. Ou será que voltaremos a ter uma selecção imposta ao treinador por homens de gabinete? Queiramos ou não, é isto que pode acontecer caso o treinador venha de fora e chegue a um mês do arranque das eliminatórias.

Os Palancas, que não jogaram o CAN, pelo tempo de paragem precisam de um trabalho sério e responsável para poderem ganhar o entrosamento necessário e a altura dos grandes compromissos competitivos. É nisto que temos e devemos pensar, se é que, com apurado espírito patriótico, queiramos todos ver a nossa selecção de regresso à alta roda do futebol africano. Reflictamos...
Matias Adriano

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