Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O triunfo da perseverana

04 de Setembro, 2013
Ao qualificar-se para o Campeonato do Mundo de basquetebol, que no próximo ano vai ter lugar na Espanha, a Selecção Nacional de basquetebol sénior masculino evidenciou no Africano recentemente disputado em Abidjan (Costa do Marfim), uma vez mais que nunca deixou de constituir uma selecção a ter em conta. Apesar de em 2011, em Antananarivo (Madagáscar) ter perdido o título da forma como aconteceu, em Abidjan, a Seleccção Nacional demonstrou uma vez mais a sua maturidade profissional e competitiva.Ainda que no decorrer do campeonato africano tenha passado por algumas dificuldades, próprias em situações do género, em função do assédio, em alguns jogos, ao qual se aliam outras situações extra jogo, a selecção angolana evidenciou uma postura igual a si mesma. Este facto confundiu não sóos espectadores locais e de outras nacionalidades, como os próprios adversários.

Os angolanos primaram pela concentração e objectividade na contenção do esférico e nas jogadas de contra–ataque. Este modelo, não obstante o seleccionador nacional, Paulo Macedo, ter desfrutado de pouco tempo para trabalhar com os atletas, colocou não só os anfitriões, como os demais adversários que os angolanos despacharam ao longo da empreitada, em “palpos de aranha.”Não podemos deixar de referenciar que, como se tornou hábito, a equipa nacional ter sido obrigada a recorrer à sua já habitual capacidade de sofrimento, que se tornou contagiante aos compatriotas e amigos que, fora das quatro linhas, denotaram grandes doses de sofrimento. Referimo-nos aos confrontos contra os donos da casa e contra os centrafricanos.Em função das “convulsões” por que passou no período que antecedeu o campeonato e no decorrer do período preparatório, que fizeram com que alguns cidadãos angolanos não acreditassem nos resultados que aconteceram, o apuramento ao Mundial adquire maior significado pelo facto de também se apresentarem como um dos três representantes do continente africano.

Os Palancas Negras traduziram em campo, a célebre frase de M. Ghandi, “ o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”. Estes combatentes da pátria que “ainda não ganharam nada”, deram início à fase de reestruturação e reorganização do basquetebol nacional, sendo necessário que para que tal aconteça, sejam criadas as condições necessárias, assim como sejam afastadas as “ingerências” de pessoas estranhas, na tarefa dos técnicos, que por vezes impedem o curso normal do seu trabalho. O rejuvenescimento da Selecção Nacional deve ser uma constante, embora de forma paulatina. É preciso que as pessoas tenham consciência que o êxito alcançado pelos angolanos em Abidjan não pode e nem deve servir para escamotear as debilidades de que enferma o basquetebol nacional, a nível interno.

É por isso que a conquista do 11.º título continental, para além de aumentar os índices de responsabilidade do grupo de trabalho, aumenta a sua confiança e crença, no sentido de a alegria que todos desejam ver acrescida tenha lugar, se possível no decorrer da maior competição mundial, no próximo ano, em Espanha.Em face do quadro que se apresenta, é importante que os atletas não embarquem no sentimento de que já está tudo ganho e que o resto “são favas contadas”, qual dormir à sombra da bananeira. Não se deve perder de vista que tal como os angolanos, os demais participantes, principalmente os africanos, Egipto e Senegal, também vão querer demonstrar que o apuramento para o Mundial não é obra do acaso – outra coisa não seria de esperar para quem atingiu tal performance -, como forma de aumentarem os níveis de confiança e de tranquilidade, depois das “ convulsões “ de âmbito social que continuam a ensombrar o país árabe. Leonel Libório



NA LINHA D’ÁGUA
As lições do basquetebol

Em 2011, Angola contratou Michel Gomez para orientar a Selecção Nacional no Aftobasket. Pelo seu curriculum (já tinha passagem pela selecção francesa) parecia um treinador à altura dos desafios do “cinco” nacional. No entanto, muitas vozes levantaram-se contra, pois achavam que a Federação Angolana de Basquetebol estava a correr demasiados riscos, contratando alguém que nunca teve contacto com o basquetebol africano. A FAB, em defesa da sua “dama”, negava todas as críticas e acreditava em Michel Gomez. Não tardou para começar a traçar o seu destino no comando da Selecção Nacional. Excluiu Olímpio Cipriano e afastou Carlos Almeida, sabe-se lá baseado em que critérios.

Já na competição, ninguém duvidava que Michel Gomez era um equívoco, pois descaracterizou o basquetebol e a equipa corria o risco de beliscar a sua reputação no continente africano. Sem qualquer burocracia, o treinador foi despedido durante a competição, substituído por Jaime Covilhã, que levou a equipa à final, sem contudo evitar a perda do título.A lição a reter nesse contexto é a decisão rápida da Federação Angolana de Basquetebol para salvar o prestígio da Selecção Nacional de Basquetebol. O mesmo se exigia da Federação Angolana de Futebol, em relação ao treinador uruguaio, Gustavo Ferrín.

Depois do CAN da África do Sul, no qual a equipa não só fez uma péssima prestação como jogou mal, exigia-se uma medida urgente para salvaguardar interesses futuros. Porém, a FAF fez ouvidos de mercador. Não pensou no futuro da Selecção Nacional e hoje está pressionada a tomar uma decisão, que seria tomada numa altura propícia. Os Palancas Negras perderam a reputação (por pouca que seja) que granjearam, a ponto dos adeptos não se importarem com os seus jogos. Como repor as coisas? É uma questão que não cabe nesse texto e que não passa única e simplesmente pela saída do treinador.

A própria Federação Angolana de Futebol precisa de rever os seus métodos de trabalho. A FAF precisa de fazer uma introspecção, diagnosticar os seus problemas e dar uma solução. De outro modo, as coisas não se vão alterar. Podem ocasionalmente melhorar, mas de maneira pouco sustentada. Não se pode olhar apenas para Gustavo Ferrín, pois os maus resultados são transversais. Ou seja, todas as selecções têm tido maus resultados, desde os sub-17 às honras. Por essa razão, não acredito que Gustavo Ferrín seja o único culpado pela situação. O que se passa é que a equipa principal de futebol merece mais atenção do que as outras. Teixeira Cândido

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