Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O turismo desportivo fez pacto com o silncio?

13 de Maio, 2019
A mãe natureza brindou o meu, o teu, o nosso país com grandes, fantásticas, fascinantes e fenomenais potencialidades turísticas. Umas bastante conhecidas, outras nem tanto, facto que deveria tornar o turismo numa actividade estratégica para Angola.
E todos sabemos o enorme potencial que ainda existe por explorar, principalmente ao nível do turismo desportivo, seja em segmentos de turismo de prática desportiva, ou turismo de espectáculos desportivos.
Por exemplo, o turismo de prática desportiva detém, por norma, os consumidores em duas perspectivas: a viagem turística e a prática desportiva, possibilitando a procura turística no âmbito do turismo activo, tendo o desporto um papel integrador. Nesta interligação existem negócios para o turismo, o desporto e a cultura.
Porém, na nossa realidade o ponto mais sensível e polémico, tem a ver com o facto de se explorar muito pouco ou quase nada, o conceito turismo desportivo, realidade constatada até ao nível de inexistentes discussões e opiniões acerca do referido fenómeno, que a dada altura alguém chegou a defender, como factor de promoção e divulgação da identidade nacional, fomentando a unidade cultural na diversidade, sobretudo num país multi-étnico e multicultural como Angola.
Infelizmente, aliar o desporto ao turismo não faz parte da agenda, quer dos agentes desportivos, dos gestores empresariais, bem como das entidades político-administrativas de Angola, como reforço do papel do desporto nos desafios que se colocam ao turismo nacional, destacando a dimensão da oportunidade que a ligação do binómio turismo-desporto oferece às economias locais e nacional!
Continuamos a nos prender em acções e soluções sempre e sempre paliativas, que visam criar mais dispersão e confusão, no conceito tácito sobre turismo desportivo como por exemplo, o torneio de golf denominado \"Presidencial Golf Day\", que vai acontecer no próximo sábado, dia 18 do corrente mês, com intuito de promover a prática do golf, como produto turístico nacional, em vésperas da realização do Fórum Mundial do Turismo a decorrer nos dias 23, 24 e 25 deste Maio, aqui no país.
Continuamos a nos esquecer, que uma boa prática ainda é uma boa teoria, e que é a prática que se deve elevar a teoria, e não o contrário, e que não há avanço num sector na vida de um país, sem por dedução ou indução se formularem teorias para a compreensão e explicação dos fenómenos, quaisquer que sejam.
Por esta razão é que não consigo compreender, por exemplo, passados 13 anos desde o alcance da paz, o Girabola, a maior competição desportiva nacional, não é aproveitada, potenciado como\" produto\" a ser utilizado para uma ampla dinamização e divulgação do turismo interno, um verdadeiro \"calcanhar de Aquiles\", para as autoridades que gerem directamente um sector que deveria orgulhosamente promover e \"vender\" a imagem de uma Angola dinâmica, moderna e em franco desenvolvimento!
Se é que ainda vamos a tempo de despertar e potenciar essa “indústria escondida e adormecida”, defendo que a melhor \"porta\" é o MARKETING, o ingrediente mágico que contribui para a construção das marcas, que o mundo para ouvir, ver e falar quando se trata de quebrar barreiras, mudar paradigmas e encontrar novas formas de atrair e chegar bem perto dos consumidores e clientes, diante de conjunturas difíceis e complexas, como as que vivemos.
Os países dão-se a conhecer, criam estereótipos e montras de visibilidade do seu ADN, da sua cultura e dos seus valores estratégicos por muitas formas, mas nenhuma talvez de grande impacto como o turismo.
Países há, que vivem só e apenas do turismo e cá entre nós preferimos passar o tempo a falar da falta de dinheiro, como se fosse a desculpa para todos os problemas e a brincar com a sorte. Confesso que fico com alergia a este ponto. Zongo Bernardo dos Santos


Últimas Opinies

  • 20 de Janeiro, 2020

    Deixem a Marximina regressar

    Olhei para o tempo que já passou desde a suspensão da árbitra Marximina Bernardo, acabou penalizada pela Federação Angolana de Futebol (FAF), sobretudo porque, em minha opinião, este órgão hesita em não condescender exagerada decisão que então tomou, quando para “homens do apito” as punições quase que sabem a flores.

    Ler mais »

  • 20 de Janeiro, 2020

    Cartas dos Leitores

    O orçamento não varia muito dos anos anteriores. Podemos dizer que é ligeiramente superior a dois milhões de dólares por ano. Este é o valor que temos consagrado para o Sagrada Esperança.

    Ler mais »

  • 20 de Janeiro, 2020

    Regatas para Tquio

    Marcado por aceso despique, o Campeonato Africano de Vela nas classes 420 e 470, realizado de 13 a 18 do corrente mês na Contra-Costa da Ilha do Cabo, em Luanda, confirmou mais uma qualificação de Angola à maior montra desportiva do globo.

    Ler mais »

  • 18 de Janeiro, 2020

    Welwitschias voltam a dar o ar da sua graa

    Depois da “travessia do deserto” por que passou nos últimos tempos, obrigando a ficar inactiva, a Selecção Nacional de Futebol feminina pode testemunhar um novo ciclo no ano que dá ainda os seus primeiros passos.

    Ler mais »

  • 18 de Janeiro, 2020

    Futebol feminino busca resgate da mstica

    Já houve tempos que o futebol feminino era de facto uma festa cá entre nós, pois inflamava paixões e, de facto arrastava multidões.

    Ler mais »

Ver todas »