Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O ltimo a sair apaga a lmpada!

10 de Junho, 2019
É verdade. O nosso caso não é único e muito menos original. Há uma mão cheia delas, espalhadas um pouco por todo o mundo.Mais para os mais atentos como eu, que acompanharam milimetricamente a entrevista feita com exclusividade pela rádio 5, ao nacionalista, homem do desporto e da cultura, Rui Mingas, ocorrida no mês passado, não podia ficar indiferente, a tamanha sorte que já tivemos, que por esses dias nos tem sido uma madrasta daquelas!

Porém um senão
Criticar o actual estado do desporto em Angola e falar mal sobre o actual estado do desporto em Angola não são, necessariamente, sinónimos e não podem ser exactamente a mesma coisa e podem até acidentalmente entrar em conflito a dada altura do seu percurso que é sempre comum.
Até se provar o contrário, desde a sua linha de partida e ao longo de toda a sua trajectória, nestes mais de 40 anos de Angola independente, só nos faltava, o facto de que, depois de termos falhado tanto, de termos errado tanto, ou no mínimo, da maioria de nós, e porque não todos nós (?) termos permanecido pávidos e de “xinini”,e ainda por cima no silêncio enquanto assobiávamos de lado, e assistíamos, qual treinadores de bancada, os inúmeros erros e disparates que se foram amontoando com o passar das décadas no desporto nacional, chegarmos agora ao ponto de querer separar, como ovelhas dos cabritos se tratassem, aqueles ainda amam o desporto angolano e falam tão bem dela, com aqueles que criticam e o que falam mal do actual estado do desporto nacional, só porque, eventualmente terão visões diferentes quanto á forma de materializar os seus sentimentos!
Se conseguirmos chegar a este entendimento, já será meio caminho andado, para um dia destes sentarmos à volta da mesma mesa e olhos nos olhos podermos então traçar um rumo, um destino, que há muito foi adiado, para o desporto nacional.
Mas afinal, o que terá falhado? O que falhou? Porque se falhou?
Usando a entrevista de Rui Mingas, dada a rádio 5, como referência, decidi fazer uma longa viagem pelo túnel do tempo e em seguida fazer uma desarrumação no meu arquivo de entrevistas feitas a pessoas que em tempos idos foram muitos respeitadas, ora pela sua verticalidade, ora pela sua frontalidade na abordagem dos fenómenos e “vultos” estranhos que nas últimas décadas foram gravitando a volta do desporto nacional, como são os casos de Victor Geovety Barros, Zeca Martins, Silva Candembo, Carlos Teixeira “Cagi”, Armando Augusto Machado, entre tantos e tantos outros, levando-me a chegar a seguinte conclusão.
Se dúvidas ainda houvesse, a crise de valores e identidade que o nosso desporto atravessa, é prova clara de que existiu e ainda existe um grupo, uma turma, que está bem organizada e que estabelece os momentos e timings fulcrais para intervir, e em particular e a qualquer preço, com objectivo (in)confesso de colocar o desporto nacional, de uma forma geral e transversal, em xeque – mate, destabilizando-o na sua maneira de dirigir e gerir, para dai conseguirem avultados dividendos financeiros.
Face ao sucedido, encontramo-nos hoje diante de uma encruzilhada, relativamente as necessárias decisões que poderão ditar o nosso futuro e o de muitas gerações á nossa frente.
Facto que obriga-nos, depois de toda essa refrega, a que nos habituemos cada vez mais a ouvir os outros, por mais que as discordâncias sejam em número, género e grau, superiores aos grandes temas em que todos possamos estar de acordo.
É preciso lembrar que o desporto angolano é mais importante do que cada um de nós, e que temos á nossa frente umas das últimas oportunidades que a história nos dá para arregaçarmos as mangas e reconstruirmos uma realidade, sim uma certeza, que durante anos foi incompreensivelmente adiada.Hoje passei por aqui , só para deixar este recado! Obrigado!
*Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos Santos

Últimas Opinies

  • 18 de Novembro, 2019

    Palancas: mais "frangos" e "promessas de bacalhau"

    Paulo Gonçalves ainda não limou as arestas que sobressaem entre os vários sectores dos Palancas Negras.

    Ler mais »

  • 18 de Novembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Não podemos agarrar-nos ao que já passou.

    Ler mais »

  • 18 de Novembro, 2019

    Imposio de limites

    Apesar do atletismo ser das modalidades mais representativas do nosso mosaico desportivo não é menos verdade que a sua acção se faz sentir com maior impacto quando se chega a esta fase do ano, em que se coloca em funções a máquina organizadora da tradicional corrida de fim de ano, São Silvestre.

    Ler mais »

  • 16 de Novembro, 2019

    Haja resilincia mas com seriedade

    A campanha dos Palancas Negras rumo ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2021, que Camarões irá organizar, pode ser de todo ofuscada, se acreditarmos que Angola, o nosso País, tem valor real e imensa qualidade em termos futebolísticos, mas sobretudo não tem o essencial: organização e seriedade.

    Ler mais »

  • 16 de Novembro, 2019

    Palancas devem ser destemidos no Gabo

    No seu retorno a mais uma campanha para atingir a elite do futebol continental, Angola joga amanhã frente à congénere do Gabão em Franceville, uma cartada importantíssima rumo aos Camarões-2021, depois do dissabor que experimentou diante da Gâmbia.

    Ler mais »

Ver todas »