Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O valor incomensurvel das conquistas obtidas

11 de Novembro, 2017
Num dia como hoje e mais concretamente num maravilhoso e memorável ano de 1975 Angola juntava-se a tantas outras nações africanas que se viam livres do jugo colonial. Era, assim, dado o primeiro grande passo de um país, que tempos depois vir-se-ia afirmar não só política e economicamente, mas em outras esferas, como o desporto, no continente Berço da Humanidade.
Foi, no trilho desta etapa a seguir a proclamação da Independência Nacional pelo saudoso Presidente António Agostinho Neto – um nome indubitavelmente ligado à história do país – que Angola viria, também, afirmar-se como uma Nação trincheira firme da revolução em África.
E mais: foi logo nos primeiros tempos desta caminhada que Angola começou a afirmar-se como uma Nação do Desporto. Os torneios de amizade Angola/Cuba de futebol (1977) a que se seguiu o outro designado “Ano da Agricultura” (1978) foram uma demonstração disto.
Não fez muito tempo, seguiu-se o lançamento da edição número “um” do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, que consagrou como primeiro campeão da prova o 1º de Agosto. Hoje a prova já leva 39 edições disputadas e o dado curioso de o último título ter sido também conquistado pela equipa do “rio seco”.
Tendo ganhado nos últimos anos o cognome do Girabola Zap, a maior prova do nosso futebol testemunhou ainda, este ano, a despromoção histórica do Atlético Sport Aviação (ASA), um clube que era, a par do d’Agosto, um dos totalista desta grande montra do futebol nacional.
Recuando no espaço e no tempo, devo aqui referir que até altura da conquista da nossa Dipanda, o desporto no país era reflexo da situação vivida enquanto colónia portuguesa. Desportivamente falando, o quadro apresentado era praticamente nulo em relação às diferentes modalidades.
Como já me referi numa anterior abordagem, nesta coluna de opinião, antes da Independência Nacional o número de infra-estruturas para a prática do desporto era insuficiente, assim como o de praticantes. Para lá disso, havia, igualmente, índices baixos no que se refere à prestação dos atletas nas várias competições internacionais.
O quadro mudou significativamente, quer do ponto de vista da sua essência, quer em termos de conteúdo, logo após a conquista da Independência do País, a 11 de Novembro de 1975. Houve, assim, uma gradual expansão do fenómeno desportivo depois da nossa Independência em 1975. No virar desta página arrancou também a massificação desportiva e a participação dos agentes ligados a este grande movimento na conceptualização e organização do sistema desportivo dentro das nossas fronteiras.
Foi, também, no meio deste cenário, que surge a criação do Comité Olímpico e das Federações Desportivas, assim como de novos clubes, particularmente ligados ao futebol, apontada, para efeito, como modalidade-rainha, entre várias, cujo movimento se começa a desencadear.
Não obstante isso, houve factores, como a guerra e outros, que estorvaram esse processo. Fruto dessa situação, a política desportiva do Governo de Angola assentou-se em estratégias que assegurariam, a curto e médio prazo o desenvolvimento sustentável do sector com consistência programática, como em muitos casos foi propalado.
Apesar disso, o subsistema de desporto federado passou a ser um segmento determinante com várias federações, como as de futebol, futsal, andebol, atletismo, basquetebol, boxe, ciclismo, judo, luta, natação, taekwondo, ténis, tiro, vela, voleibol, karaté, hóquei em patins, xadrez e desporto para deficientes. Nessa perspectiva, é conveniente realçar que grande parte destas modalidades ficava, assim, filiada ao Comité Olímpico Angolano (COA).
Portanto, depois da Independência Angola precisou de alguns anos para assumir-se como uma potência continental a nível de algumas disciplinas desportivas. É nesse sentido que hoje por hoje, o país assume a hegemonia do basquetebol em seniores masculinos, assim como do andebol feminino. Nas duas modalidades, Angola soma curiosamente onze títulos continentais.
A realização dos II Jogos da África Central, bem como de Campeonatos Africanos de Futebol, de Basquetebol e de Andebol, assim como do Mundial de Hóquei em Patins no país, são, também, outros dos momentos assinaláveis no mosaico desportivo nacional nestes 42 anos. Também merece destaque nesses 42 anos da nossa Dipanda a participação da Selecção Nacional sénior masculina no Mundial de Futebol, na Alemanha, em 2006.
Porém, Fabrício Alcebíades Maieco “Akwá” é um nome que não pode ficar dissociado a esse feito do desporto-rei no país, por ter sido ele o autor do golo apontado a 8 de Outubro de 2005, em Kigali, frente ao Rwanda, que garantiu a qualificação inédita de Angola ao Mundial.
Nota de realce vai igualmente para a participação das Selecções Nacionais seniores feminina de andebol, assim como as masculinas de basquetebol e hóquei em patins, em mundiais e Jogos Olímpicos das referidas modalidades.
A nível do desporto paralímpico Angola também se tem notabilizado, destacando-se, nesse particular, o título mundial conquistado por José Armando Sayovo, nesses 42 anos que o país assinala hoje da conquista da sua Independência Nacional.l dos 400 metros no Mundial de 2002, no Canadá, assim como medalhas de ouro nos 100 e 400, bem como de prata nos 200 metros, nos Jogos Panafricanos de Abuja.

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