Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O vazio das assembleias da FAF

21 de Janeiro, 2019
É quase uma tradição, reunirmos e no final sairmos com as pastas cheios de nada. Essas são as minhas expectativas em relação à assembleia da Federação Angolana de Futebol (FAF). Sabe-se dos enormes problemas que o futebol nacional atravessa, clubes repletos de dívidas que ameaçam inclusive a sua existência, apesar disso nesta assembleias a tendência é discutir o óbvio, bater palmas sem mais nem porquê, e no fim do dia as pessoas não sabem o que fizeram lá dentro. As associações deviam discutir como aperfeiçoar mecanismos de fiscalização dos duplos contratos que os clubes celebram com os jogadores e treinadores, dos quais resultam as actuais dívidas. É chegado a hora de acabar com o actual modelo da prova, ao invés de se esperar que seja o presidente a decidir quando. Nunca se discute com a profundidade que o assunto exige a questão da corrupção que toda a gente reconhece existir. Presidente das associações assim como de clubes só têm coragem para essas abordagens em óbitos e noutros fóruns informais. Falta-lhes coragem de uma abordagem frontal e directa em reuniões dessa natureza. Os presidentes parecem mais engajados em celebrar e desfazer contratos de treinadores como se essa fosse a sua função. Falta-lhes vontade e predisposição para mudar as coisas, porque talvez numa realidade diferente da actual não fossem capazes de sobreviver. Se há um sector do País que carece de resgate, este é o do futebol. Retirar do futebol dirigentes que mais se assemelham a monarcas, do que a pessoas comprometidas com o desenvolvimento da modalidade. Essas e outras abordagens deveriam preencher a agenda das reuniões da FAF, e não discutir o sexo dos anjos ou quando começa a próxima época desportiva. Assusta a ausências de estratégias dos presidentes dos clubes para levar mais adeptos aos estádios, como se fosse coisa de outro modo. As reuniões da FAF deviam discutir essas e outras abordagens estruturantes do desporto, e não estudar as recomendações da CAF ou da FIFA, como reuniões partidárias. À medida que o tempo avança menos adeptos vão aos estádios, ninguém liga ao \'merchandising\', não existe campanhas para se aproximar clubes dos adeptos, porque os presidentes acham que os angolanos não nasceram para o futebol. Os angolanos não gostam de gastar dinheiro para \'merchandising\'. Se perguntarmos que tipo de estudo fez para chegar a estes resultados, a resposta é imediata: - \"eu ando no desporto há muito tempo, sei disso\". São esses senhores que se perpetuam no desporto e em particular no futebol angolano.
Teixeira Cândido

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