Jornal dos Desportos

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Opinio

O vexame do basquetebol

03 de Julho, 2015
A Selecção Nacional de basquetebol sénior masculina enfrenta problemas na sua preparação para o Afrobasket15, na Tunísia. Era suposto estar no estágio já a partir do dia 28 ou 29 de Junho. O certo é que ainda por cá anda. Novas datas foram avançadas para ida da equipa nacional ao estágio. Entre 5 ou 9 de Julho. Porém, informações avançadas dizem que não será no dia 5.

Desse modo, só resta no dia 9 de Julho. Ninguém explica publicamente os sucessivos adiamentos. Nem a razão principal, embora se saiba que seja problema financeiro. A direcção da Federação Angolana de Basquetebol tenta a todo custo “proteger” o Ministério da Juventude e Desportos.

Tive a preocupação de cruzar informações, preocupação básica de qualquer jornalista. Ouvi um membro da direcção de Paulo Madeira, que primeiro desmentiu a informação dos atrasos, como se fosse possível; e depois me garantiu que a Selecção Nacional sempre sai nas datas previstas.

Nas datas previstas? Então o seleccionador nacional disse que queria apenas ficar uma semana a trabalhar em Luanda e vai na segunda semana, como pode o membro da FAB dizer que a equipa nacional sempre vai ao estágio na data prevista.

É seguramente mais um jogo daquelas situações que prejudicam não apenas o trabalho do treinador, da equipa mas também o nome da Selecção, onze vezes campeã africana. A Selecção não disputa mais um título, melhor do que isso quer garantir presença nos próximos Jogos Olímpicos, no Brasil.

E como se trata de uma situação incómoda, ninguém quer dar a cara. Só o fazem quando se perfilam no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em recepção as selecções vitoriosas. Em momento de crise fogem. Compreende-se a Federação de Basquetebol manifeste a sua solidariedade institucional. Ou arranje uma guarda-chuva para proteger o Ministério da Juventude e Desportos.

Mas pergunto onde fica então o interesse da Selecção Nacional, que todos dizem defender? Não é este o Ministério que reuniu não faz uma semana mais de 450 delegados, dentre os quais 18 estrangeiros na Conferência do Futebol Nacional, que culminou com uma boda na piscina do Alvalade? Os convidados vindos de Portugal e Brasil (muitos deles para nada dizerem) não são seguramente da Cruz Vermelha nem vieram em missão humanitária. Foram convidados e pagos, como tinha de ser. E a culpa não é deles.

Portanto, como pode ser que para o basquetebol e numa situação de longe mais importante do que aquela Conferência do Futebol Nacional possa não haver dinheiro? Escreve quando se anunciou essa discussão sobre o futebol, que mais importante do que falar da modalidade era importante falar para quem faz a modalidade, em particular os dirigentes, das associações até do Ministério da Juventude e Desportos. Esses é que precisam de conferências, simpósios, porque são os maiores obstáculos para o desenvolvimento da modalidade.

Então como se pode sujeitar a principal Selecção de basquetebol a esses jogos de empurra-empurra? Que imagem se transmite para um treinador que está a conhecer a realidade do nosso desporto. Cabe na cabeça de alguém dizer que a melhor Selecção africana (pelo menos em termos de palmarés o é) não tem dinheiro para fazer estágio?

Não consigo perceber que os mesmos que fazem fila para acompanhar as caravanas desportivas, e de preferências em competições prolongadas, sejam os primeiros a obstruir a preparação das selecções. Não tenho dúvidas que o elo mais fraco do desporto nacional seja o dirigente.

Essa é uma ideia que carrego há muito tempo, fruto das situações caricatas que assisto, nas caravanas desportivas. Em 2003, fui enviado especial do Jornal de Angola à Nigéria, Abuja concretamente, para cobrir os Jogos Pan-Africanos. A Selecção Nacional de xadrez tinha possibilidades de chegar à medalha de prata, por equipas. Mas perdeu por falta de comparência, porque chegou tarde ao Hotel, por falta de transporte. Havia uma greve na Vila Olímpica, e as outras caravanas decidiram pagar táxi para os seus atletas irem aos locais da competição, a nossa nada. E a delegação tinha levado mais de trezentos mil dólares para prémios e fundo de maneio. No entanto, Angola perdeu por falta de transporte. Fiz o que me competia enquanto jornalista. No dia seguinte, os dirigentes reagiram como virgens ofendidas.
Portanto, está tudo dito.
TEIXEIRA CÂNDIDO

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