Jornal dos Desportos

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24 de Fevereiro, 2015
Comparando o Girabola a um combate de boxe com 30 rounds, a vitória da Académica do Lobito é considerada um duro golpe que pode ter consequências negativas para o adversário que atende pelo nome de 1.º de Agosto.

Ainda por analogia, penso ser em função das categorias diferentes dos “contendores” que a derrota do 1.º de Agosto constitui, igualmente, a surpresa da segunda jornada da presente edição do campeonato nacional, com destaque merecido na capa deste jornal, edição desta segunda-feira, 23.
É o mesmo que dizer que existem vitórias de outros clubes que são menos expressivas que certas derrotas do 1.º de Agosto, tudo pelo seu valor no mosaico desportivo nacional.

Assim, o resultado em referência, no jogo de estreia do “glorioso” na época 2015, apesar de natural nestas coisas de futebol, mais que uma derrota pode significar o renascimento do fantasma da história que coloca dificuldades acrescidas aos militares do Rio Seco, em relação à conquista de bons resultados no mítico Estádio do Buraco.

Muito mais barulhenta se faz a derrota, a julgar pelo discurso profético dos militares que por altura da pré-época apregoavam ser, este, o ano do D’agosto, ou seja, do retorno às conquistas do campeonato. Para concretizar tais conquistas os militares devem evitar perder pontos com equipas que, por quase todas as razões, não são do seu quilate, noves fora o facto de estarem a disputar o mesmo torneio.

Sob pena de perder o respeito até das consideradas equipas menos cotadas do ordenamento futebolístico nacional, o 1.º de Agosto obriga-se a mais.
Atendendo às suas pretensões no campeonato está claro que ao clube do Rio Seco é dada menos margem de erro, tornando-se imprescindível mudar o rumo dos acontecimentos sob pena de ver alargar o tempo de jejum em relação à conquista do maior troféu do futebol nacional.

Têm razão os que defendem que não se deve “condenar” o Clube Central das Forças Armadas Angolanas, por apenas um jogo. Também é tão verdade que neste único jogo perderam-se três pontos, tanto quantos necessários aos desígnios dos militares que neste ano deve passar por voltar a ser campeão nacional e, por arrasto, voltar às Afrotaças.

Ademais, estamos a falar de um jogo de estreia, com uma equipa que não tem os mesmos pergaminhos em termos de número de adeptos e infra-estruturas que, apesar de não disputarem o jogo pelo jogo, são factores que podem ter peso no fim do Girabola. Por mais isso, dentre outras coisas, o 1.º de Agosto obriga-se a mais, e penso que este deve ser um discurso uniforme, que dispensa contrariedades, apesar de ser lógico o entendimento da dinâmica dos processos desportivos que nos remetem para desaires como estes.

E não quero, portanto, que ao futebol do 1.º de Agosto seja aplicada a mesma medida que ao andebol em que as equipas seniores e masculinas viram demitidos os treinadores por perderem um jogo, apesar de tal jogo determinar a conquista de troféus como a Super Taça e Taça de Angola. Pelas ocorrências no andebol se interpreta que a direcção do clube está com poucas contemplações e quem não se obrigar a mais pode, quanto menos esperar, seguir o mesmo caminho que os treinadores do andebol.

A terminar, deixo o alerta para que reine a calma no clube da minha paixão, e que este texto seja interpretado, apenas, como a opinião de quem, despido da missão de articulista, também sofre com os desaires e se alegra com os bons feitos de um dos maiores clubes do futebol angolano, pelo que, tenho dito.

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