Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Oitavos de luxo

30 de Junho, 2018
Se Maradona e outros, passaram por alguma agonia na sequência dos jogos da primeira fase, chegou a verdadeira hora do tormento, de choros, de gritos e até do pior, que nenhuma pessoa de boa fé se arroga em augurar. É a fase de dimensionar a capacidade de quem é quem, em que os fortes vencem e os fracos acabam estatelados ao comprido.
Parafraseando alguém, que marcou profundamente a nossa história, pode dizer-se que a partir daqui, \"nada mais será como antes\". Os jogos serão vividos com mais intensidade, com mais determinação, com mais capacidade de sofrimento. Não há, para as equipas, margem mínima de erro. Enfim, o campeonato entra na recta crucial, em que os intervenientes, quase todos, revelam-se ousados e determinados.
Preparemo-nos, para as fastidiosas maratonas assistenciais, aos jogos de loucura, que não encontram fim, muitas vezes superando a barreira dos 90 minutos regulamentares, a consumirem os 90 minutos adicionais, para serem decididos por via de pontapés de grandes penalidades, talvez, a decisão mais dolorosa para as equipas e para as respectivas falanges de apoio.
São os oitavos - de -final, que longe dos contornos e desconfortos da fase inicial, se disputa num fôlego, em nada mais que quatro dias. Pressupõe, que dentro deste período, a prova ver-se-á resumida a oito representantes, que formam o selecto esquema dos quartos - de -final, em que quem lá chegar, mesmo não sendo louvado, não fica mal no espelho.
Na verdade, a batalha neste turno do torneio prevê-se campal, basta que lancemos um olhar, ainda que de soslaio, para o gráfico das equipas que se apuraram. À excepção da Alemanha, estão todos os campeões do mundo, esta particularidade faz deles os \"oitavos de luxo\", que reservam partidas que nos farão reféns da mágica caixinha a que o inventor deu o nome de TV.
Hoje, por exemplo, entram em campo Portugal -Uruguai e França-Argentina. Qualquer destas partidas tem tudo para atrair assistência, refira-se a presencial ou a distanciada. No primeiro jogo, temos um velho campeão, que não vence desde 1950 (Uruguai) e o campeão da Europa (Portugal), no segundo, outros cameões: o de 1986 e o de 1988.
Portanto, é um leque de potenciais candidatos ao título. Há quem tenha as atenções, quando o tema versa acerca de candidatos, voltadas nas selecções que já ergueram o troféu em ocasiões anteriores, não considerando os pretendentes primários. Enganam-se, redondamente. Pois, se é verdade que quem organiza espera sempre vencer, não se deve pôr a Rússia fora dos pretendentes ao título, ainda que seja com desconto.
Adivinha-se, daqui para frente, muita refrega, porque começa o verdadeiro desafio, não só com incidência na corrida ao título, também, no acerto de outros detalhes. Fala-se nos meandros da crítica desportiva, que quer Portugal quer a França esperam passar dos “oitavos” para que possam se encontrar nos quartos - de - final.
Os franceses não digeriram até hoje, a desfeita da final do Euro 2016, e caso voltem a cruzar-se pode ser oportunidade de acertarem as continhas. A verdade, é que esse cruzamento é ainda algo tremido, já que qualquer uma tanto pode seguir em frente como pode ficar pelo caminho.
Enfim, o mundial da Rússia chegou à curva mais apertada. Aqui, todos os prognósticos arriscam a cair em saco roto, porque as equipas apostam mais, revelam-se pouco permissivas a dar primazia à atitude e à ousadia. Aqui chegados, não temos como não admitir que estamos perante uma etapa rija do campeonato. Aliás, já o dissemos mais atrás, que são \"oitavos\" de luxo. Vamos a eles...
Matias Adriano

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