Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ol senhor campeonato!...

19 de Fevereiro, 2016
Chegou a hora de soltar os assobios, de exultar de alegria, de abraçar o próximo com quem se partilha o mesmo sentimento clubístico, quando a equipa que defendemos num sopro mágico desfere um remate cheio que termina em estrondoso êxito, estremecendo as redes da baliza contrária.

Chegou o Girabola, a mais alta expressão futebolística do nosso país, ressuscitado de um defeso, que já causava algum incómodo aos verdadeiros amantes do futebol. Angola futebolística volta a sorrir ao ritmo de jogadas magistrais, que todos esperamos venha a prova conhecer ao longo das suas longas e infindáveis 32 jornadas. Enfim, atrevo-me a dizer que começa hoje uma salutar maratona futebolística, ou se preferirem, um verdadeiro cortejo de dramas, enganos e burlas.

Hão-de ser aproximadamente nove meses de futebol total, em que a tristeza e a alegria andarão de mãos dadas como é comum, aceite e pacífico no mundo do futebol, onde se está fadado a três resultados, nomeadamente a vitória o empate e a derrota. Mas quem vai ao jogo está preparado para isso, pena é aquele adepto vencido pelo fanatismo, muitas vezes a roçar os píncaros do absurdo, se submeter emocionalmente a todos os riscos.

É preciso conter os ânimos para que o futebol, este jogo popular e apaixonanete, não seja entendido como algo destrutivo, que leve dor aos nossos lares. Pois, ele é apenas um fenómeno de vastas implicações na vida dos povos desde a sua descoberta, atribuída à Inglaterra, mas ainda discutível até aos dias de hoje.

Digo discutível porque até onde vão os meus estudos e pesquisas sobre as origens deste jogo do pontapé na bola, a China poderá reivindicar a primazia na prática de um jogo rudimentar que chamou Tsu Chu (pontapé bola) utilizado numa época Antes de Cristo com balizas de bambu providas de redes. E já no Século VII da nossa era no Japão já se dava também toques à bola, chamando a este desporto de Kemari.

Mas deixo a história para historiadores, que não sou, fazendo apelo que vivamos o Girabola, que agora leva o complemento de Zap, com paixão e alegria, porque é esta prova que tomada na sua primeira edição como factor de Unidade Nacional, conseguiu unir um povo até então eto-linguísticamente esquartejado pelas taras do passado.

Saudemos com efusão o regresso do senhor campeonato, e a acção vigorosa dos seus actores na esperança de que façam rolar nas quadras de jogo futebol de refinada categoria, que faça com que as nossas crianças se revejam nas nossas equipas, corrigindo um conceito, quase já enraizado, de idolatria a equipas de outras paragens, das principais ligas europeias sobretudo.

Competitivamente falando, há todos elementos e indicadores para esta edição superar a anterior, não só pelos reforços que as equipas conseguiram para se potenciarem, mas particularmente pelo que nos deram a ver na ponta final da época passada. Há, desde já, um sinal de ressurreição das velhas potências. O 1º de Agosto deixou isto bem claro.

Com o Petro a olhar novamente para as conquistas, o Interclube e 1º de Agosto ambiciosos, não há como não augurar uma batalha campal pelo título, sendo afinal este quesito que concorre para a qualidade do próprio torneio. Para além destas equipas não podemos perder de vista os intrusos, aqueles que do nada, feitos patinhos feios, entram também eles na festa.

A crise financeira que nos flagela poderá ter reflexos negativos na evolução da prova, dificultando algumas equipas e embaraçando a sua organização.
Mas escuso falar de coisas ruins numa prosa em que o objectivo é enaltecer o bem, a alegra, a festa que só o rei futebol pode proporcionar. O dia é este. Venha dai senhor campeonato!...
MATIAS ADRIANO

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