Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Olhar para a frente

05 de Fevereiro, 2012
A desqualificação da Selecção nacional de futebol, na primeira fase do Campeonato Africano das Nações, que ainda decorre no Gabão e na Guiné Equatorial, gerou polémica entre cidadãos caídos no inconformismo. Muitos encararam a desfeita, quanto a nós normal no jogo desportivo, como algo de bradar aos céus. A direcção da Federação Angolana de Futebol, como era de esperar, convocou na sexta-feira uma conferência de imprensa, onde tratou de aclarar o que aconteceu. Os ânimos de alguns estavam exaltados na sala em que decorreu o encontro. Mas valeu a sagacidade diplomática de Pedro Neto, que tratou de colocar as coisas no devido lugar, tudo terminando de forma urbana.

Essas pessoas exaltadas têm dificuldade em gerir a desqualificação dos Palancas na maior cimeira do futebol africano. Essas pessoas estão longe da percepção de que a nossa selecção não foi ao CAN para jogar sozinha, mas sim com outras equipas, muitas destas com maior preparação e tarimba, como é o caso da própria Costa do Marfim, com quem perdeu o último jogo. Talvez se se partir do pressuposto de que venceu o Burkina Faso, empatou com o Sudão, que são do seu campeonato, e perdeu com quem todos perderam, vemos que a sua participação não foi assim tão má.

O que se passou de concreto, e este deve ser o entendimento a extrair, é que em face da vitória com o Burkina Faso e empate com o Sudão, elevou-se em demasia a fasquia. E, como repetidas vezes temos alertado sobre a incoerência do futebol, as coisas terminaram sem ser a contento de todos. Ora, se acontece a qualificação aos quartos-de-final, talvez Vidigal, acusado de todos os males, fosse tomado como herói, a exemplo do que aconteceu há um ano, quando conseguiu conduzir Angola até à final do CHAN-2011. O seleccionador nacional é hoje alvo de ataques, como se de um aprendiz do ofício se tratasse ou mesmo um mero curioso.

Não precisamos de chegar até aí. Os profissionais acertem ou falhem nos seus afazeres devem ser sempre respeitados como tal. E Lito Vidigal é um profissional reconhecido e com uma rica folha de serviço. Pensamos que o que deve concentrar as atenções a partir de agora, é um estudo aprofundado sobre o que possa ter faltado à equipa para um desempenho à altura das ambições e daí definirem-se estratégias que levem às melhorias pretendidas a nível do nosso futebol. Mesmo que o técnico tenha cometido qualquer erro, o que é próprio, só não erra quem não trabalha.

Se fizermos uma análise mais profunda, vemos que existem muitos outros problemas que influenciaram a prestação e que ultrapassam a pessoa de Lito Vidigal. Precisamos, ao invés de agirmos de forma emocional e irreflectida, juntar ideias que ajudem a corrigir o que estiver mal, agora que se traçam como metas seguintes o apuramento ao CAN’2013 e ao campeonato do Mundo de 2014. O CAN’2012 já não deve preencher as páginas das nossas reflexões. Devemos, sim, olhar para a frente…

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