Jornal dos Desportos

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Opinio

Onda de desistncias no Girabola Zap

10 de Agosto, 2019
Hoje propomo-nos, mais uma vez, abordar nesse espaço de opinião “A duas mãos” um assunto bastante pertinente e que tem marcado, de forma negativa, o nosso futebol ou desporto-rei, como é também denominado. Nas verdade, às portas de mais uma edição do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, nunca é demais voltar à carga em relação à questão das recorrentes ameaças de desistências por parte das equipas.
É um assunto sinuoso, recorrente como já se aflorou e que, infelizmente, vem acossando a maior prova do nosso futebol ano após ano. É, de resto, um mal que vem persistindo sobretudo nas últimas épocas da competição que não faz ainda muito tempo ganhou o cognome de Girabola Zap e que parece tardar encontrar-se uma solução para o efeito.
É por demais consabido que o actual momento de crise por que passa o país, derivado sobretudo da (ainda) persistente baixa do preço do petróleo no mercado internacional e não obstante os indícios de alguma subida, tem estado base desse aspecto. E os clubes que desfilam neste carrossel que se consagra apelidar hoje de Girabola Zap têm sido, também, grandemente afectados por isso. É inequívoco esse factor.
A poucas semanas do arranque da época 2019/2020, das Terras Altas da Chela, veio o grito socorro do Benfica do Lubango, pela voz do seu presidente de direcção, José da Conceição Jacinto “Jacks”, dando conta da indisponibilidade da sua participação no Girabola Zap pelos recorrentes problemas financeiros de que se queixam também a maior parte das equipas. E como medida precaução a essa lacuna a Federação Angolana de Futebol (FAF) deliberou a sua substituição pelo Williet Sport Clube de Benguela.
Porém, depois dessa deliberação da “repescagem” do emblema da cidade das “Acácias Rubras”, a direcção do clube da águia huilana veio a terreiro solicitar ao órgão reitor do futebol nacional a revogação do seu comunicado de desistência.
A intenção do recuo na decisão da desistência resultou do facto de a empresa Decathlon Marketing e Sport (DMS), com que o clube tem um contrato de parceria relativo à gestão do seu Departamento de Futebol, manifestar apoio para época que pela semana arranca. No termo do compromisso, apresentado ao elenco federativo liderado por Artur de Almeida e Silva, a empresa em questão comprometeu-se em assumir as despesas inerentes à participação da equipa do Benfica do Lubango nesta temporada.
Pela voz do presidente de direcção do clube encarnado huilano, ficou claro que a agremiação precisava de um montante na ordem dos 300 milhões de kwanzas para competir e ao que tudo indicava a empresa DMS mostrava-se sensível a conceder apoio, assim como trabalhar no sentido de angariar patrocínios para o efeito.
Contudo, o órgão reitor do futebol nacional descartou a reintegração dos encarnados da Huíla, através do seu comunicado nº 31/SG/19 de Agosto. A irredutibilidade da FAF resulta do facto de ter já confirmado a desistência do emblema benfiquista e tornado público o licenciamento do Williet de Benguela.
Contudo, na esteira dessa onda de ameaças de desistências que vem acossando as equipas do Girabola Zap, em Novembro de 2017 a FAF deixara no ar a promessa de actuar com mais rigor, na temporada seguinte para travar a propagação dessa situação.
A medida seria consumada com a publicação, pelo órgão reitor do futebol nacional, do licenciamento dos clubes com provas documentais onde constariam as exigências que dariam direito às equipas de participarem no Campeonato Nacional da I Divisão.
Na altura o presidente de direcção do organismo, Artur Almeida e Silva, esclarecera que as equipas que anunciassem a desistência na prova, tal como as que não tivessem capacidade financeira para continuar, seriam fortemente penalizadas.
E seria bom, na verdade que essas penalizações fossem bastantes pesadas, como prometera o líder da FAF na ocasião, para que se estancasse essa onda desistências no Girabola que já vêm se arrastando desde 1998.No ano em questão vimos o Kabuscorp do Palanca, que na época passada foi rebaixado da I Divisão por um diferente com antigo campeão do mundo pelo Brasil, Rivaldo, a abandonar o Girabola, por alegada incapacidade financeira.

Depois do emblema palaquino, o Grupo Desportivo da EKA do Dondo optou, também, pelo “adeus” em 1999 por razões semelhantes. Um ano depois a prova foi ainda acossada pelas desistências da Sécil Marítima e do Cambondo de Malanje. Em 2017 o revés das desistências voltou a acossar outra equipa de Luanda, no caso o Benfica, e em 2018, o JGM do Huambo. Por isso, é imperioso que a entidade que superintende o futebol nacional e outras afins procurem, por todas as formas, travar a propagação desse mal e oxalá que os revezes não se repitam nesta edição. Assim se espera... Sérgio V.Dias


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