Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Onde est a Casa do Desportista?

06 de Setembro, 2018
A casa dos desportistas faz parte das infra-estruturas que qualquer Estado pôs à disposição do desporto, como um de seus activos fundamentais, porque bem geridos dão entradas de dinheiro .
Um dos principais objectivos de uma casa dos desportistas, é suavizar, ou seja, tornar menos dispendiosos os custos do alojamentos de jogadores ou atletas de clubes particulares e de selecções nacionais.
Isto, implica dizer, que o momento económico que o pais vive, desde 2015, mais de que nunca justifica a existência de tais infra-estruturas. Aliás, não importa o momento que o país atravessa, a Casa dos Desportista é uma necessidade e não um mero desejo.
Um exemplo flagrante da importância das casas dos desportistas, foi vivida pela selecção nacional de Futsal, em Sub-17, ao longo da sua campanha para o apuramento aos Jogos Olímpicos da Juventude, que vão realizar-se na Argentina, em Outubro de 2018.
No período de jogos com a Zâmbia, Marrocos e depois com o Egipto, os nossos rapazes sentiram no osso, as consequências de não haver um local digno, onde pudessem ficar alojados sem grandes sobressaltos.
No período em referência, os jovens rapazes, especialmente, os das províncias, ficavam alojados em anexos de residências privadas de pessoas de boa vontade, próximas dos dirigentes da Federação de Futsal.
Não nos interessa, aqui, falar mais sobre as dificuldades que os bravos rapazes que acabaram por serem eliminados, na última eliminatória, diante dos Faraós do Egipto, tiveram de passar em termos de alimentação e não só.
Todo o sofrimento podia ser evitado, se a casa “deles” estivesse à disposição. Certo clube do Namibe que militou no Girabola, em várias ocasiões teve de hospedar-se em casa de amigos do treinador, em pensões, à kilápi e houve uma ocasião em que alguns jogadores dormiram no carro…
Tudo isto, porque a Casa do Desportista cuja missão é receber e hospedar os atletas com dignidade, “desapareceu”. Não temos nada contra os felizardos que “herdaram” a mesma, porque de certeza absoluta que se lá estão, é porque alguém de direito permitiu. Portanto, o nosso interesse é que ela reapareça, volte a funcionar, não importa se no mesmo edifício ou não, para que situações como as que acabamos de frisar acima, não voltem a acontecer.
Temos de reconhecer, que nos últimos 26 anos ou mais, isto de 1992 a 2017, para não dizer desde 1975, vivemos períodos anormais que propiciaram vários comportamentos, que hoje, em função do novo contexto político e militar, já não são admissíveis, como por exemplo, alguém “ herdar” ou receber de bandeja um bem público por simpatia.
É ponto assente, que os actuais ocupantes da Casa do Desportista estão lá, desde o período que acima referenciamos, e por isso, cabe a quem de direito resolver a situação com toda a justiça possível, sem molestar, porque tais ocupantes não estão lá por vandalismo ou outro acto vil.
Assim, cabe ao Ministério da Juventude e Desportos encontrar os mecanismos para “resgatar” a Casa do Desportista, que muita falta faz ao nosso desporto. Entretanto, quando falamos da infra-estrutura, não nos queremos limitar a da Ilha de Luanda, mas que se deva prestar atenção às demais que existam no país, como por exemplo, a do Huambo e da Huila.
Naturalmente, também significa que o Ministério da Juventude e Desportos deve programar a médio prazo, a construção de Casas dos Desportista em todo o país, dada a importância que os referidos activos têm para o progresso do desporto nacional.
É preciso ter em mente, que uma Casa do Desportista, é um activo e deve ser explorado para o efeito. Visto que a maior parte das unidades hoteleiras cobram preços exorbitantes no tocante às hospedagens e sem refeições, a maior parte das delegações quer nacionais como internacionais recorriam à Casa do Desportista, para resolverem os dois problemas.
Por isso, é importante apostar na construção de outras, especialmente, nas províncias principais do país, como Benguela, Huila, Cabinda, Lunda - Norte, enfim, em cidades onde o desporto é praticado com muita frequência. Enquanto aguardamos pela construção de mais casas, porque não resgatar as que existem.
Augusto Fernandes

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