Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Onde est o seleccionador dos Palancas ?

27 de Janeiro, 2017
O Tempo continua a ser um grande desafio para muitos de nós, individualmente, e para as nossas instituições. E com as associações desportivas não é diferente. Com à devida ponderação, mais com a urgência que se impõe, a Federação Angolana de Futebol está a perder tempo com a nomeação do seleccionador nacional, dado que as eliminatórias para o próximo CAN começam dentro de quatro meses, sensivelmente. Tempo que pode não ser suficiente para o treinador, dada à enormidade de tarefa que o espera.

Para as instituições que valorizam a precaução, nessa altura o seleccionador devia estar no Gabão a acompanhar o principal adversário dos Palancas Negras, Burkina-Faso no caso. Essa é uma tarefa que se faz urgente, e com a qual a Federação Angolana de Futebol não devia estar a dormir, ou melhor, a atrasar.

Os resultados desportivos têm sido decisivos para estabilidade de qualquer direcção da Federação Angolana de Futebol. São aliás, capazes de esconder outros problemas que se possa viver na instituição, a direcção de Pedro Neto sabe disso de cor e salteado. Por isso, Artur Almeida podia relegar outras questões para o segundo plano e atacar urgentemente essa questão, consultando quem for possível e encontrar com alguma urgência a fonte de receitas para os salários da equipa técnica. Bater as portas que se impõe para evitar que o País volte a viver a vergonha que foi a saída de Hervé Renard.

É necessário envolver as principais estruturas do País, uma vez que os resultados desportivos têm implicações não apenas na imagem da Federação Angolana de Futebol como de todo o País. É Angola no seu todo que paga, quando os resultados desportivos são negativos, e ganha quando são positivos. Aliás, não é a bandeira da Federação que é hasteada, mas a da República, assim como as cores das camisolas. Escusado é recordar a dimensão social do futebol. O exemplo recente é da Guiné-Bissau. O empate com Gabão colocou o país na rua, a festejar como se da independência se tratasse. Esses são alguns dos efeitos do futebol, o que reforça a necessidade de estarem envolvidos não apenas a Federação Angolana de Futebol mas o Ministério dos Desportos, e todas outras estruturas de decisões. Não se pode deixar o seleccionador com quatro ou oito meses de salário, como aconteceu com Hervé Renard e Romeu Filemon. A experiência de outros países consiste em encontrar um patrocinador exclusivamente para pagar os ordenados dos seleccionadores, o que explica o facto desses países puderem contratar treinador da dimensão de Avram Grant, israelita que já orientou o Chelsea da Inglaterra.

A FAF não tem necessidade de ir buscar esses treinadores, há muitos outros. Se dependesse de mim, não havendo solução interna, a escolha seria a Europa do Leste. Acho que esses treinadores têm facilidades de se adaptar à nossa realidade, e muitos têm sido bem sucedidos.

Se não se agir com a necessidade que se impõe, os Palancas Negras correm o risco de fazer mais uma travessia no deserto, de ficar pela terceira vez fora da fase fina do CAN. Essas ausências têm consequências negativas obviamente para os cofres da Federação Angolana de Futebol, e outras incontáveis desvantagem. Não se trata de pressionar a FAF, apenas ressaltar a urgência que há em existir já um seleccionador. Soube que se quer apostar num treinador nacional, que se encontra praticamente inactivo. Saberá a FAF porque razão, mas se tivesse uma palavra nessa decisão não arriscaria tanto. O futebol é dinâmico, não vive de histórias. Os treinadores são os que estão sempre no terreno, os que se encontram todos os dias a estudar o avanço da modalidade, e não os que um dia foram bem sucedidos, achando que isso resulta para todosempre. Pode ser um equívoco redondo.
Teixeira Cândido

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