Jornal dos Desportos

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Opinio

Onde est a grandeza do Petro?

15 de Maio, 2015
A crise de resultados do Petro de Luanda ressuscitou uma discussão em torno da política directiva de Tomás Faria, presidente de direcção. Por todos os cantos ouvem-se adeptos a amaldiçoar o presidente e o treinador. Para uns, o Petro de Luanda, dada a sua grandeza, não pode desempenhar esse papel de actor secundário no Girabola.

Ou seja, o Petro de Luanda tem de lutar eternamente pelos títulos, e ganhá-los de preferência. Pessoas como Jesus e outros consideram uma mancha sem igual na história do Petro de Luanda a política seguida pela liderança de Tomás Faria. Porém, nenhuma dessas pessoas explica aos adeptos comuns que o Petro de Luanda tinha um buraco financeiro enorme. Dividas na ordem de milhões de dólares, com jogadores de todas as modalidades e prestadores de serviços.

Ninguém explica aos adeptos comuns que a grandeza do Petro de Luanda não tem qualquer expressão material. Dito por outras palavras, falta ao Petro de Luanda infra-estruturas e outros requisitos para ser de facto um clube grande. Os 15 títulos conquistados não bastam para tornar o Petro de Luanda numa equipa grande. Esse é um conceito ultrapassado no tempo. É necessário acrescer outros requisitos, como o património, o volume de investimentos e retorno desse investimento.

Contratar jogadores, gastando milhões de dólares, e ter como retorno algumas centenas de kwanzas, não se pode considerar na realidade um investimento. Trata-se de fazer despesas. O Petro de Luanda precisa de fazer uma ruptura com a política que sempre seguiu: gastar, gastar e gastar.

A conjuntura económica não é favorável para o Petro de Luanda, como se sabe é patrocinada pela Sonangol. O Petro de Luanda precisa de acordar, fazer uma ruptura com a sua política antiga e procurar um caminho diferente. Um caminho que lhe permita seguir os passos de outros clubes, como o 1º de Agosto. Era suposto que o Petro de Luanda tivesse há muito uma academia de futebol, tinha recursos financeiros para tal, porém, não tem.

Dois campos para o futebol jovem, um balneário é tudo que o Petro de Luanda. A equipa principal tem um campo de treino, qualquer reparação, é obrigada a refugiar-se num campo alheio para continuar as suas actividades como o fez no ano passado. O basquetebol tem um recinto no Eixo-Viário, que mais se assemelha a um ginásio de um colégio do que de uma equipa com dez campeonatos nacionais e uma Taça dos Campeões Africanos. O andebol idem. Tem um pavilhão que servia perfeitamente para as meninas do colégio vizinho do Catetão.

O centro de estágio do Petro de Luanda, Catetão, nem uma piscina tem. Aliás, é mesmo só para dormir, pois faltam outros serviços para uma equipa profissional. Dito isso, pergunto onde está a grandeza do Petro de Luanda? Se a política adoptada por Tomás Farias visa esse caminho, o da sustentabilidade do clube, é obrigatória que seja apoiado. De outro modo, o Petro de Luanda corre o risco de fechar as portas um dias, se a Sonangol por qualquer razão decidir retirar o patrocínio. A situação da Académica do Soyo e do Atlético do Namibe devia ser de espelho para uma reflexão profunda da família petrolífera.

O Petro de Luanda precisa diversificar as fontes das suas receitas, construir infra-estruturas que diminuam as despesas e que possam ser rentabilizadas. Este é o caminho que o Petro de Luanda está obrigado a seguir. Deixar de ganhar um título ou dois a favor de um investimento neste ou naquele sector do clube devia merecer o maior coro de apoio, porque é pensar no amanhã. As direcções passadas, com a excepção de uma ou outra nunca pensaram no amanhã do clube.

No papel o projecto de diversificação das fontes de receitas do Petro de Luanda são bonitas, mas nunca se materializaram. Já lá vão mais de uma década desde que se fez o plano de desenvolvimento do Petro de Luanda. Ao invés de receitas, o clube acumulou dividas atrás de dividas que seria capaz de perder o pequeno parque de infra-estruturas que têm se os credores decidissem processar o Petro de Luanda. Os resultados da equipa de futebol é um "fait-divers" ao lado dos colossais problemas estruturais que a equipa apresenta.
Teixeira Cândido

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