Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Orgulho de sexagenria e psames por Chinho

11 de Julho, 2019
Saí do hotel para ir ao bar ao lado com duas garrafas de vinho que "unos amigos" trouxeram de uma loja de vinhos, lá da baixa de Villanova i Lá Geltru. O restaurante do Solvi Hotel estava fechado e eles procuravam a saca-rolha. A única funcionária em serviço na recepção do hotel tentou ajudar com um garfo que tinha à disposição, mas não deu.
"Los amigos" já vinham de uma caminhada longa e diante da dificuldade, olharam para mim, logo percebi que ia sobrar para mim! Com a minha já avançada idade, dei conta de que era o mais puto na mesa que tinha umas seis pessoas, embora fosse também o único que não ingeria o suco de uva em estado de vinho.
Aceitei, levei as duas garrafas, para abrir no bar ao lado, e quando regressei, deparei-me com uma sexagenária, simpática, nas escadarias frontais do hotel. Puxou conversa e eu, modéstia à parte, consigo ser bom de lábia, mesmo tendo que intercalar o espanhol com o inglês. Falamos, conhecemo-nos, "yo soy Carmen Zabalo" , disse.
Com rapidez, fez-me perceber que era de Barcelona e que viera em passeio, acompanhada pelo filho. O filho não estava alojado no hotel. Quando lhe disse que era Silva Cacuti, pronunciou tão bem o "Cacuti" e passou a tratar-me por Cacuti.
Parecia que já nos conhecíamos há bastante tempo. Corri, fui levar as garrafas e voltei à conversa com a nova amiga. Disse-lhe que estava na cidade para a cobertura do mundial de hóquei em patins.
"Eres periodista?". Perguntou-me e sem que eu confirmasse o óbvio, porque leu no passe que trazia ao peito, voltou à carga para saber se tínhamos ganhado o jogo.
"Não não ganhámos a França, empatamos a três golos, pêro manhana nossoutros vamos a ganar a la equipo de Espania", assim provoquei!
"Ou no, nossoutros somos mui fuertes, no és possible"! Exclamou orgulhosa a minha amiga.
Ficámos mais tempo à conversa, disse-me do desejo de um dia conhecer a África e falei-lhe do medo que sinto quando as previsões meteorológicas anunciar as "lãs tormentas" que já fizeram, ao menos um morto na Catalunha. Falei de Angola e do caso que me entristecia, a morte do Chinho. Disse-lhe que me dói por ter sido um jogador que me proporcionou muitas alegrias enquanto adepto do Petro de Luanda. Para lá do que fez nas selecções nacionais.
A Zabalo, que ainda preserva traços da sua beleza e simpatia juvenil, lamentou a minha perda. Endereçou-me sentimentos de pesar e até convidou-me para "um copo" a fim de espairecer, mas não pude aceitar, obviamente! Bale! Silva Cacuti

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