Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os 100 dias da FAF

07 de Abril, 2017
Contas feitas com algum rigor matemático apontam hoje para o centésimo dia de exercício da actual direcção da Federação Angolana de Futebol. Com efeito, foi a 27 de Dezembro do ano passado que a Artur de Almeida e seus pares foi conferida posse, num acto bastante concorrido, que teve como palco o Complexo Turístico da Endiama ao Miramar. Completam assim cem dias de exercício, ou cem dias desde que se mudaram para o Nova Vida.

Não se pretende aqui fazer cobranças daquilo que foi feito neste período administrativo, tanto mais porque é sabido que para qualquer gestão os primeiros cem dias compreendem o chamado período de graça. Seja como for, é ainda assim importante dar realce àquilo que foi feito de bom ou de mau, sem que tal exercício seja considerado obrigatório ou configure cobrança. Longe disto.

Aliás, o estágio actual do nosso futebol exige uma forte investida para dotar a modalidade de um novo sopro de vitalidade. E isto leva tempo, não se faz em cem dias. É um trabalho exequível a médio e longo prazos. De todo modo, faz alguma lógica saber como é que os novos gestores do nosso futebol se estão adaptar, sobretudo porque receberam uma herança pesada, e como se não bastasse numa época economicamente difícil.

Realmente, não estamos a par daquilo que internamente vai sendo feito, mas apenas daquilo que escapa para fora das quatro paredes da federação.
Pergunta-se à guisa de exemplo, se já foi regularizada a situação salarial do pessoal administrativo, a quem a direcção cessante ficou a dever mais de um ano de salários. Caso não, como estará a ser gerido este dossier.

Mas naquilo que é público, nem tudo foram rosas nestes cem dias para a federação angolana de futebol, apesar de ainda assim ter somado alguns pontos que não deixam de ser assinaláveis. A tragédia do estádio 4 de Janeiro, logo na abertura da presente edição do Girabola Zap, foi realmente uma mancha negra que não se elimina nem com lixívia e potassa, embora sem culpa directa para a FAF.

Seguiu-se a isso, a demissão de um dos vice-presidentes eleitos, Norberto de Castro que se terá incompatibilizado com Artur de Almeida, por este ter baralhado os cargos, passando por cima do que estava estatuído. A alteração de vice-presidente para o futebol jovem para vice-presidente para o futebol dos municípios e comunas irritou, e de que maneira, Norberto de Castro a ponto de bater com a porta.

Não foi bom para a imagem de uma direcção que nem cadeira ainda tinha aquecido. Na altura falou-se, à boca pequena, que outras cisões seguir-se-iam, o que felizmente acabou por não acontecer. Estas situações, em abono da verdade, marcaram negativamente os cem dias de exercício que a federação completa hoje. Entretanto, também nem tudo foras espinhos. Deram-se também passos assinaláveis.

O regresso da selecção de futebol ao Torneio Internacional de Toulon foi realmente um dos grandes feitos que não deve escapar da nossa observação analítica. Já há muito que Angola não tomava parte deste tradicional torneio de futebol de selecções de base, disputada na cidade francesa de Toulon. Voltar a fazer parte deste torneio só pode ser resultado de uma bem urdida estratégia diplomática.

A isto juntamos a contratação de Beto Bianchi para seleccionador nacional. A federação mesmo atolada num lamaçal de dificuldades, conseguiu encontrar um meio-termo para a Selecção Nacional. Houve e, se calhar, continua a haver uma onda de críticas de uma corrente que defende que o seleccionador nacional deve trabalhar em full-time, mas foi a solução encontrada. Vamos é aguardar e ver se a dupla-função vai ou não atrapalhar as coisas.
Mas uma coisa deve ficar clara: para o grande público não interessa o que a FAF internamente esteja a fazer dentro dos seus aposentos. Se melhora os salários, se mobila as áreas com secretárias, cadeiras e armários de ouro. Será sempre no desempenho competitivo das selecções nacionais que será avaliado o trabalho da nova direcção. Vamos em frente, o começo é difícil, mas é caminhando que se abre caminho...
MATIAS ADRIANO

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