Jornal dos Desportos

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Opinião

Os 150 dias de “reinado” de Artur

18 de Maio, 2017
O novo elenco da Federação Angolana de Futebol (FAF) liderado por Artur Almeida e Silva completou ontem 150 dos cerca de 1440 dias (4 anos) que tem à disposição para gerir o futebol angolano.

Como podemos avaliar a gestão do actual presidente da FAF e sua equipa neste curto período de tempo a julgar pelas promessas que fez e o conduziram à liderança da FAF?

É importante lembrar que a actual direcção da FAF herdou das anteriores direcções um baú de muitos problemas que vão desde a má qualidade do nosso futebol à falta de dinheiro. Artur Almeida assumiu o desafio e prometeu reverter o quadro. Desde que assumiu a gestão do nosso futebol, Artur Almeida já conseguiu recolocar a selecção de Sub 20 no prestigiado torneio anual do Toulon, que tem servido de trampolim para muitas estrelas do futebol mundial.

A última vez que Angola se fez presente neste torneio, foi em 1997, com jogadores como Marito, Mendonça, Akwá, Yamba Asha, Gilberto e outros que mais tarde viriam a ganhar o CAN da categoria em 2001. O Torneio de Toulon é disputado pelas melhores selecções do mundo do futebol e por lá passaram estrelas como Zidani, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Messi e outros. Portanto é caso para dizer que participar no referido torneio é equivalente a estar num Mundial.

Assim, recolocar a nossa selecção neste torneio cerca de vinte anos depois, é uma vitória do elenco liderado por Artur Almeida e Silva, que não pode passar despercebido pela família do futebol angolano e merece o aplauso de todos. Outra jogada que merece elogios neste curto período de tempo de gestão do actual elenco da FAF é ter conseguido um patrocínio anual de cerca de quatro milhões de doares por parte da FIFA para apoiar o futebol de formação.

Se as anteriores direcções não conseguiram manter-se neste “diapasão” e muito menos conseguiram evoluir, então estes dois lances da FAF podem ser considerados como os primeiros pontos da equipa de Artur.

Por outro lado, já pela negativa, podemos considerar a contratação de um técnico estrangeiro para orientar a selecção de Sub 20, pois a referida contratação foi muito repudiada por uma boa parte da família do nosso futebol. Para alguns membros da família do nosso futebol, um treinador angolano seria ideal para ocupar esta posição visto que o grande problema do nosso futebol não reside na falta de qualidade dos treinadores mas sim na fraca qualidade dos jogadores.

A título de exemplo podemos ver o que se passa com o grande José Mourinho, que muito recentemente foi considerado o melhor do Mundo e é dos poucos ou o único treinador no Mundo do futebol que tem adeptos, ou seja, cujos adeptos o seguem onde quer que vá.

Actualmente o homem tem feito o que todos nós temos visto no seu Manchester United. Será que Mourinho desaprendeu? É claro que não. O grande problema é que no seu caso é como se ele tivesse mudado de máquina assim como acontece na Fórmula 1

Por mais bom que seja o piloto, se a maquina não corresponder o piloto fica limitado. É por isso que mesmo nos seus melhores momentos Mourinho nunca aceitou treinar a selecção de Portugal. Portanto, fica claro que o sucesso do treinador depende grandemente da qualidade dos jogadores que tiver à disposição. Por isso a contratação de um treinador estrangeiro para \"pastorear\" a selecção de Sub 20 não se justificava e em minha opinião é uma nota negativa na gestão do presidente Artur.

Alem disso, todos nós sabemos que o treinador da selecção principal, os Palancas Negras, Beto Bianchi, está a trabalhar de \"borla\", com espírito “patriótico”, porque a FAF não tem dinheiro para pagá-lo. Será que o treinador dos Sub 20 também foi contratado com as mesmas condições de Bianchi? Quem pagará o seu salário? É importante ter em conta estes pormenores porque se estas perguntas não forem bem respondidas aí a FAF estaria a abusar da bondade do treinador Bianchi.

Por outro lado, queremos lembrar que ao longo de sua campanha Artur Almeida, de entre outras coisas prometeu que a sua gestão seria de consenso. Isto implica dizer que em decisões de peso ele teria em conta a vontade da maior parte da família do nosso futebol.

É muito importante que o presidente Artur não se esqueça destes pormenores, porque uma das principais armadilhas que um presidente de um órgão como a FAF deve evitar é criar situações que o levem a picardias com os demais membros da família do futebol.

Entretanto, acredito que ArturAlmeida tem massa cinzenta suficiente para saber separar o trigo do joio. Assim, a julgar pelo que o homem tem estado a fazer nestes 150 dias de “governação”, podemos atribuir-lhe a nota sete e esperar para ver como Artur e a sua equipa jogarão até ao fim do seu campeonato!
Augusto Fernandes

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