Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

OS cados para l

02 de Junho, 2017
Refira-se ao estado social, quase a roçar a mendicidade, em que mergulharam alguns ex-praticantes desportivos, terminadas as respectivas carreiras, alguns até, diga-se de passagem, de forma precoce. Na generalidade, o conceito que se tem é de que um atleta que atingiu o topo não deve ter um destino ruim. Deve ser dono de si, com todas as condições que lhe permitam uma vida sem constengimentos.

É comum ouvirmos no dia-a-dia gente a lamentar sobre o estado do fulano que chegou a alinhar pela Selecção Nacional de futebol, de basquetebol, de andebol ou de outra disciplina atolado hoje num lamaçal de dificuldades, chegando mesmo ao extremo de andar de “candongueiro” ou viver em casa dos pais.

Mas, não há ai nada de gravidade, Porque os compromissos profissionais, sobretudo no nosso país, tanto podem dar lucros ou não. E mais: o atleta é um contribuinte como qualuer um. Porém, o seu nome entre na praça da fama por servir um sector(desporto) de grande visibilidade. Porque existem outros profissionais que também caiem na desgraça depois de uma fase bem sucedida, mas que passam despercebido.

A situação não deve, entretanto, colher ninguém de surpresa. As necessidades do país, voltado para a evolução são muitas. Vontade só não basta, temos vindo a dizer isto de forma reiterada. Realmente, a situação chega a ser confrangedora, porque quando se entra pela porta da fama cria-se, em regra, um cenário de alguma dignidade social em torno da figura. Entretanto, será preciso não perder de vista que a fama tem o seu custo, o seu preço, que muitas vezes pessoas que se aventuram nela não percebem.

Afinal, a desgraça não atinge apenas os ex-desportistas. Os altos e baixos ocorrem em todas as profissões. Daí a necessidade de se defender o prestígio que se vai conquistando. O desporto pode ser só das áreas que dão maior visibilidade aos seus fazedores. Mas existem outras áreas de renome, e nunca nos confrontamos com a exposição dos seus profissionais na praça pública.

O que na verdade acontece no desporto é que não há uma política de gestão de rendimentos planificada. Quando os dinheiros começam a chover à cântaros, o atleta cria dentro de si o conceito de que as coisas continuarão a ser assim, mesmo sabendo que o desportista tem uma carre ira curta. E história diz-nos que muitos que tiveram pouco estão bem e aqueles que estiveram bem estão mal. Em resumo, a situação tem a vem com a visão individual de cada um.

Dai que não se deve atribuir o estado actual da alguns ex-praticantes à gestão dos clubes que estes representaram. De resto, a gestão dos nossos proventos depende de nós mesmos. Nenhum atleta vestiu a camisola de um clube ou da selecção de forma gratuita. Dai que não tendo prosperado não pode e nem deve, de modo algum, assacar as culpas a terceiros.

É, pois, inadmissível que algumas pessoas saiam a público com críticas de toda sorte, quando é sabido que só não fizeram mais e melhor porque lhes faltou alguma visão. É preciso que os clubes e as selecções não sejam mal entendidos. Os clubes são clubes, as selecções são selecções, devendo cada uma destas partes assumir as suas responsabilidades neste exercício.

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