Jornal dos Desportos

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Opinio

Os brasileiros do Petro e a dvida do Kabuscorp

07 de Maio, 2018
A maneira e \"estilo\" ...com que o brasileiro Tony marcou ontem aquele segundo golo ao Interclube só pode mesmo ser de craques de arte afinada e, já agora, quem mais duvida de que o Petro de Luanda orientado pelo técnico brasileiro Beto Bianchi pode ainda lutar pelo título?
O Petro, na minha opinião, ontem sacudiu a \"onda de azares\" e, devido a isso, posso, sim senhor, recordar o que o presidente do Petro de Luanda, Tomás Faria, disse há quatro anos, em 2014: o futebol é(ra) prioridade e no seu consolado, deste o tempo em Manuel Vicente à frente da Sonangol, suportando-se pela \"escola brasileira\" a equipa um dia seria campeã para justificar o saneamento financeiro do clube que, diga-se, dos seus patrocinadores recebe trimestralmente a quantia de três milhões de dólares.
Tony, brasileiro, é um grande jogador que veio do Brasil de onde surgiu para os tricolores o Tiago Azulão e treinadores que deixaram saudades., Como se sabe, o técnico brasileiro António Clemente (falecido em 2014 no Brasil) foi o primeiro e também o que mais anos estiveram à frente dos destinos da equipa técnica. Orientou de 1980 a 1983.
O segundo é o seu compatriota Djalma Alves Cavalcanti, que esteve à serventia tricolor de 1999 à 2001, com regresso em 2006.Foi campeão duas vezes consecutivas em 2000 e 2001, conquistou também a Taça e a Supertaça.
Outro foi Jorge Ferreira, que esteve dois anos à frente dos destinos do Petro de Luanda, em 1997 e 1998, conquistou o Girabola neste último ano. Pode-se ainda destacar como vencedores de Taças de Angola os técnicos José Roberto Ávila (2002) Pavão (1984), Alfredo Abraão (1985) e Artur Bernardes (2005).
A equipa só começou a \"abanar\" quando contratou o técnico brasileiro Alexandre Gallo para estar à frente do conjunto que, diga-se em abono da verdade, é o que mais títulos tem no Girabola (15) e da Taça de Angola (10), e mais ainda: este treinador tinha a \"missão\" de superar os feitos de colegas que mais êxitos tiveram, como António Clemente, Djalma Cavalcanti e Jorge Ferreira, mas...\"foi-se embora\" e a equipa hoje, com o brasileiro Beto Bianchi está sob a vigilância dos adeptos, sócios e dirigentes, a verem se desta fez o título pode ser \"resgatado\".
Mudando de assunto: quem, ainda, hoje, está surpreendido com a decisão da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), sancionar o Kabuscorp do Palanca por ter cumprido a primeira deliberação daquele organismo reitor do \"desporto-rei\" no mundo por não ter honrado o compromisso contratual com o antigo craque brasileiro Rivaldol?
A Federação Internacional de Futebol Associado - vejam bem a data - em Junho de 2014 -já tinha notificado o clube do empresário e político Bento Kangamba, no sentido de pagar a dívida de 753 mil euros do contrato e 23 mil de multa, que o seu que clube tinha com o saudoso avançado, Rivaldo, sob pena de, se não cumprir, sofrer redução de pontos no Girabola e não só.
Na altura o vice-presidente do Kabuscorp do Palanca, José Domingos \"Dimas\" confirmou que de facto a dívida existe e esclareceu que o clube prometia pagar quando um representante do jogador brasileiro viesse a Angola para tratar do assunto.
O Kabuscorp na altura decidiu a aguardar pela vinda a Angola do senhor Rivaldo ou de um seu representante. Foi numa altura em que a equipa de Bento Kangamba também estava ainda por cumprir financeiramente algumas obrigações com jogadores da equipa actual, porque muitos deles só recebeu cinquenta por cento do contrato com a promessa de o restante acontecer na segunda volta do campeonato, mas a direcção, neste particular, continuou em falta. Estavam apenas a receber prémios de jogo, o que desmotiva muitos deles, a ponto de terem faltado a várias sessões de treino.
Não é a primeira vez que o Kabuscorp do Palanca se vê confrontado com \"makas\" desta índole: por exemplo, o congolês democrata, Trésor Mputu Mabi, após a sua saída do clube em 2014, reclamou que assinou um contrato com o clube.
Parte do dinheiro foi depositado em Kinshasa e o restante montante recebeu em Angola, mas, a verdade é que, em 2015, disse que não recebeu tostão algum do clube. Apenas 300 mil dólares norte-americanos e os dirigentes comprometeram-se a enviar o resto do dinheiro para o Congo, mas, não o fizeram.
Na última sexta-feira o vice-presidente do Kabuscorp, José Domingos \"Dimas\" disse que o Kabuscorp reconhece a dívida com Rivaldo e procurou renegociar a mesma.
Bento Kangamba ainda tem estofo financeiro, no actual momento de crise económica e -financeira\" para pagar a dívida? Seria bom ouvir a resposta da parte do empresário e político Bento Kangamba.
ANTÒNIO FELIX

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