Jornal dos Desportos

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Opinio

Os campos de futebol que no temos

05 de Novembro, 2018
Se eu fosse governante, combatia a criminalidade, com o futebol.\" Foram as palavras pronunciadas por um adulto, junto à portaria do Catetão, quando um adolescente assaltava a bolsa de uma senhora, que passava na avenida Deolinda Rodrigues. O adulto tinha o rosto amarrotado, aparentemente iletrado, calçava uma chuteira furada no pé esquerdo e consumia magoga, acompanhado com um refrigerante, vulgo \"bebe me deixa\".
A falta de investimento desportivo e oportunidades à juventude, como da formação técnico profissional, são factores que contribuem para o elevado crescimento da criminalidade. O futebol pode combater o índice elevado de criminalidade e não só, também, pode lutar contra o desemprego, problemas de saúde e a desigualdade social. No tempo em que fomos meninos de bairros pobres, o futebol afastou-nos do crime, ligou-nos ao sonho de estrelas, com camisola 10 do Estrelinha FC, Romiloy camisola 8, eram os goleadores no campo da Fomisa, nos confins do Cazenga, onde o pão com chá era um privilégio ao pequeno almoço. Não havia luz eléctrica, nem água potável. O futebol era a nossa opção, em detrimento da vida do crime.
Depois dos acordos de paz, cresceu o número de empresários e investidores menos interessados no investimentos desportivo. Todos, com os olhos no lucro rápido, confiscaram os campos de futebol dentro dos bairros, que foram transformados em armazéns comerciais, estaleiros, lojas, clínicas privadas e colégios, etc.
As grandes arenas desportivas, dos nossos bairros, eram campos pelados de areia vermelha, mas fizeram as grandes glórias do nosso futebol, que não optaram para a criminalidade, nomes como, Mantorras, Hélder Vicente, Akwá, Mabululu, Mendonça, Kikas e tantos outros.
Nos dias de hoje, esses campos seriam actualizados virados à modernidade, com relvados e bancadas. Muitos deles não existem mais, campo de São Paulo abandonado à sua sorte, campo da lixeira, em Benguela, campo dos quartéis e da Rangol, no Cazenga, o quintalão da Fomisa e o campo das Malhas Lourdes, na Mabor, o campo dos CTT e dos Flamenguinhos, no Rangel, o campo do lote 9 do Prenda, onde é a actual loja Paparock, o campo do Kikalanga onde é a actual Clínica do Girassol, o campo da Rádio Nacional ora transformado em estaleiro e o histórico campo 4 de Fevereiro, onde é o actual marco histórico, no Cazenga.
O futebol é uma máquina que gera milhões e bilhões, nas outras paragens do mundo, ajuda a realizar os sonhos de muitos jovens, filhos de famílias pobres a tornarem-se estrelas mundiais, como aconteceu com o francês, Mbappé, a estrela do mundial da Rússia.
A abertura de escolas de futebol, nos diversos municípios do país, pode ajudar a combater o desemprego e a criminalidade juvenil.
Edivaldo Lemos

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