Jornal dos Desportos

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Opinio

Os ces ladram e a caravana passa

10 de Outubro, 2017
Considero que muitas conversas, debates, lamentos e denúncias foram feitas até hoje sobre os estádios, que acolheram o CAN de 2010, mas ao que me parece, as entidades de direito não fizeram nada para melhorar ou corrigir. Dão motivos para o seguinte adágio: \" os cães ladram, a caravana...passa\".
Devo lembrar, e isto é fazer memória, que em 2010 só para o Estádio do Chiazi, em Cabinda, foram gastos 116 milhões de dólares, para o Estádio da Tundavala, no Lubango, 69 milhões.
Para o Estádio de Ombaka, em Benguela, foram dispendidos 116 milhões de dólares e para o Estádio 11 de Novembro, em Luanda, foram consumidos 227 milhões. E se juntarmos outros investimentos, os quatro estádios orçaram em 600 milhões de dólares. E, porquê que se gastou tanto dinheiro? Obviamente,são úteis para o País. Melhor dito, deviam ser úteis para o País!
Hoje, infelizmente, os quatros estádios experimentam dificuldades de manutenção e em minha opinião isto só acontece por incapacidade de gestão do próprio Estado e de privados. Se não, quem afinal, está a ganhar com a actual degradação dos estádios?
Lembro-me que em Março do ano 2013 - portanto perto de dois anos depois do CAN de 2013 - procedeu-se ao levantamento e estudo da situação dos quatro estádios, acção a seu tempo encomendada pelo então Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos. Inclusive, o estudo foi depois remetido ao Conselho de Ministros.
Depois, o antigo titular da pasta ministerial dos desportos, Gonçalves Muandumba, saiu a público a dizer que tal levantamento e estudo foram realizados,tecnicamente, por especialistas do seu ministério e serviria para se atribuir a gestão dos estádios a gestores públicos, mistos ou privados, tal como aconteceu com os pavilhões construídos nos anos de 2007 e 2008 para servir o Afrobasket de 2007 e CAN de Andebol de 2008, respectivamente.
O que se passa hoje? Sinceramente, há uma confusão tremenda. E a barafunda ocorre por ausência de boa gestão. Por junto e atacado, constato que a questão de bem gerir os quatro estádios construídos para o CAN de 2010 continua ainda na ordem dia. Deve haver uma definição de quem tem capacidade para os fazer render.
Bem geridos devem dar receitas ao Estado, o que infelizmente não está a acontecer, sete anos depois das obras e investimentos de que beneficiaram. Sobretudo agora que financeiramente a nossa terra parece estar em \"banca rota\" no capítulo de fundos e receitas.
Os dirigentes desportivos do País, ligados ao futenol, em particular, e no desporto, em geral, não devem dizer apenas, em justicações recorrentes, que vão ser lançados outros concursos públicos, em busca de parceiros privados que tenham capacidade, que tenham know how, que tenham experiência.
Mais do que isso, defendo gestores que tenham disponibilidade e vontade de conferir outro aproveitamento e gestão modernas. No estado em que estão, deve-se fazer a reparação de tudo o que está danificado e as obras devem ficar a cargo de empreiteiras ou firmas com garantias.
A actual ministra da Juventude e Desportos, Carla do Sacramento, deve \"bater-se\" por um orçamento e uma comissão de gestão, para todos os estádios nacionais construídos e reabilitados para o CAN de 2010.
De contrário, os estádios continuarão a apresentar cada vez mais estados de degradação. Já agora, onde param os geradores que foram comprados pelo Governo, para serem instalados nos estádios?

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