Jornal dos Desportos

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Opinio

Os clubes sabem da ideia da FAF

28 de Abril, 2017
A hipótese da Federação Angolana de Futebol de parar o Girabola, principal competição nacional, para dar lugar aos trabalhos dos Palancas Negras, que jogam em Junho para as eliminatórias do CAN2019, é não só apenas um absurdo como inconcebível para uma prova que se quer profissional.

Parar uma competição, repito que se quer profissional, para habilitar a Selecção Nacional a ter entrosamento é coisa de outro século. Já não se permite no futebol moderno e profissional, em Angola como na China. Salvo se Angola fosse outra vez palco de competição africana no caso o próprio CAN, seja ele de que categoria fosse. Ou ainda se houvesse uma situação]ao social ou de outra natureza.

E competia a Federação Angolana de Futebol, gestora da prova, acautelar essa situação e não ser promotor de uma paragem sem qualquer fundamento. Primeiro, a FIFA orienta a cedência de jogadores profissionais por cinco dias apenas. E 15 dias antes, quando se tratar de uma competição continental.

Portanto, a intenção da Federação Angolana de Futebol pode não ser útil já que o seleccionador nacional só podia trabalhar com jogadores do Girabola quando a Selecção Nacional precisa de todos os jogadores para formar uma equipa. Não se pode achar que se pode trabalhar sem concurso de jogadores como Bastos, Gelson, Ary Papel e outros que actuam no estrangeiro e que hoje por hoje são imprescindíveis para a estrutura que Beto Bianchi quer montar.

Como se poderá reter jogadores por mais de um mês para se dar entrosamento e outro treinamento qualquer. Ainda que coincida com as férias dos campeonatos europeus, os jogadores precisam de férias.

Além de tudo, os próprios clubes sairiam prejudicados com essa paragem, primeiro terão de encontrar forma para manter o nível competitivo dos jogadores, o que pressupõe por exemplo jogos de preparação ou outras formas quaisquer, exigem sempre dinheiro, muitas das vezes não cabimentado. São todas essas situações que devem pesar na balança numa decisão dessa natureza.

Os jogos de preparação, e nas Datas-FIFA, servem precisamente para os treinadores aproveitarem e fazerem esse trabalho. O entrosamento virá com esses jogos e com o tempo na medida em que os jogadores vão se conhecendo e esbatendo os problemas de comunicação.

Beto Bianchi e os responsáveis da Federação Angolana de Futebol sabem de cor e salteado isso ou deviam saber. Nunca se interrompe uma competição profissional, mais ainda quando ela tem direitos televisivos comprados por uma entidade estranha à Federação Angolana de Futebol. Não se trata de mais patriotismo ou menos patriotismo. Trata-se de se ser sério com os compromissos. Os clubes mais do que os adeptos e os jornalistas deviam ser os primeiros a criticar essa hipótese da FAF. Se não o fazem, acredito que mais ninguém tem legitimidade para o fazer, porque são eles que gastam milhões e milhões para jogar a prova. Se consideram aceitável, nós que assistimos na plateia a prova devíamos nos recolher e desejar boa sorte.
Teixeira Cândido

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