Jornal dos Desportos

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Opinio

Os cofres vazios da FAF

16 de Março, 2017
A semana passada foi rica em acontecimentos ligados ao desporto. Vou apenas cingir-me a três acontecimentos. A indicação do brasileiro Beto Bianchi para comandar os Palancas Negras; a continuidade de Carlos Dinis no comando técnico dos hendecacampeões africanos de basquetebol, e a vitória caseira (2-1) do Recreativo do Libolo nos primeiros 90 minutos dos 16 avos de final da Taça das Confederações, diante do N’zagi Paltinuim do Zimbabwe.

Das vantagens e desvantagens do técnico brasileiro de conciliar o comando dos Palancas Negras com o do Petro de Luanda muito já disse. As opiniões divergem. Uns acham que não deve haver problemas, enquanto outros, consideram que a escolha da FAF não foi a mais acertada.

Na opinião do novo presidente da FAF, Artur de Almeida e Silva, a capacidade financeira do organismo reitor do futebol nacional pesou sobremaneira, na tomada de decisão. Isso, implica dizer que os cofres da FAF estão vazios. Cofres que em tempos idos estiveram abonados.

No caso inverso, está a tomada de decisão do novo presidente da Federação Angolana de Basquetebol, Hélder Martins da Cruz “Maneda” que optou por entregar os destinos do “Cinco” Nacional a um técnico nacional, no caso, Carlos Dinis.

Foi uma aposta na continuidade, já que o técnico principal do ASA orientou a selecção nacional no último evento internacional, no Torneio Pré-olímpico de Belgrado, prova selectiva para os jogos Olímpicos de 2016 realizados no Brasil.

Embora os dois técnicos estejam ligados aos seus clubes, um caso difere do outro. No caso de Beto Bianchi, continua a ser um assalariado do Petro de Luanda, vai receber da FAF apenas um bónus.

Em relação a Carlos Dinis, a Federação Angolana de Basquetebol vai arcar com todos os encargos financeiros relativos à sua indicação, como seleccionador nacional. Perante a desigualdade, coloco a seguinte pergunta. Os cofres da FAB estão mais abastados em relação aos da FAF?

Por aquilo que Artur de Almeida disse aquando da apresentação do novo pastor dos Palancas Negras, dá para perceber que a FAF, de organismo rico e pomposo passou para organismo pedinte. A ajuda solicitada ao Petro para dispensar o seu treinador não é senão prova disso.

“Devemos agradecer à direcção do Petro, pelo acto patriótico demonstrado. O técnico continua a ser assalariado pelo Petro de Luanda e vai apenas colaborar com a Federação”, disse Artur de Almeida e Silva.

Esta situação apenas confirma quão danosa foi a anterior gestão, porque aFAF recebe patrocínios de vários organismos internos, inclusive da FIFA, para além da doação que vem do Ministério da Juventude e Desportos.

Porquê que os cofres da FAF, de um momento para outro ficaram vazios? É uma questão que a nova direcção da FAF deve investigar, com a instauração de um inquérito apurado às suas contas.

Artur de Almeida durante a sua campanha eleitoral prometeu uma gestão transparente. Disse que todos iam saber o que se passa no organismo. Um dos propósitos que os amantes do futebol precisam saber, é para onde foram parar os dinheiros que a FAF recebeu dos patrocinadores, do MJD e da FIFA. Resumindo: porquê que os seus cofres estão vazios.

Os amantes do futebol e não só, pretendem saber qual é o actual passivo da FAF. Quais as dívidas por pagar, enfim, tudo o que gira à volta da actual situação financeira. Um acto que pode vir a ajudar no futuro, o actual elenco do organismo.

Artur de Almeida tem de colocar de lado o sentimentalismo, partir para actos concretos. Os angolanos aguardam por essa atitude. E, vão agradecer-lhe, se tiver a coragem de fazê-lo.

O último acontecimento desportivo que mais me marcou. durante a semana passada, foi a vitória do Recreativo do Libolo no regresso às competições africanas. A equipa de Calulo venceu o N’zagi Paltinuim, do Zimbabwe, a contar para a primeira mão dos dezasseis avos da Taça das Confederações.

Um triunfo 2-1 apertado, que deve obrigar a equipa de Calulo a suar até ao limite, para continuar em prova. O golo marcado pelo conjunto zimbabweano pode ser determinante no desfecho final da eliminatória.

A maior eficácia de cada equipa, nos derradeiros 90 minutos, vai definir quem passa para a eliminatória seguinte. Depois do afastamento prematuro do 1º de Agosto, na fase preliminar da Liga dos Campeões, resta ao Recreativo do Libolo salvar a honra do futebol nacional. Os angolanos estão crentes que isso possa acontecer no sábado. Policarpo da Rosa

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