Jornal dos Desportos

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Opinio

Os dois senhores de Beto Bianchi

14 de Março, 2017
Depois de todo o processo que culminou com entrada em função dos corpos gerentes da Federação Angolana de Futebol comandada por Artur Almeida e Silva, a apresentação Beto Bianchi como o 29º treinador dos Palancas Negras desde a proclamação da Independência Nacional, em 1975, em nossa interpretação é o primeiro grande acto da \"era Artur Almeida\".

Por via deste acto, o elenco da FAF expõe-se a um primeiro grande momento do crivo da comunidade futebolística, por ser o acto que objectivamente vai revelar resultados desportivos da equipa nacional, cujo prestígio não é dos melhores e dos mais recomendados.

Diga-se de passagem, que a decisão do órgão reitor do futebol angolano representa o regresso da escola brasileira, famosa pelo charme e perfume do futebol rendilhado que há muito não colecciona títulos famosos na alta ronda do futebol mundial, questão que pode estar descontextualizada para esta abordagem.

Por outro lado, a direcção da FAF anunciou que uma das razões para a preferência em relação a Beto Bianchi, reside na falta de capacidade financeira para assalariar um técnico que trabalhe a tempo integral,ora, caminha em contra mão relativamente ao que apregoou em tempo de campanha eleitoral, em que de entre várias coisas, prometeu ter capacidade mobilizadora de recursos para suportar as obrigações financeiras da FAF.

E, nem queremos lembrar da promessa de transformação da Federação Angolana de Futebol em Associação de Utilidade Pública, estatuto que seria bastante para desapertar a corda em que se encontra o pescoço da instituição que comanda o futebol da nossa querida Angola.

Esta questão, melhor que a classe jornalística, deve ser um exercício do poder fiscalizador dos clubes e Associações que confiaram o destino do futebol no actual elenco directivo da FAF, e que saberão, seguramente, no momento próprio aferir o grau de cumprimento das promessas eleitorais, e decidir o melhor para o futebol doméstico.

Entretanto, como patriota, educado nos bons valores desta terra que temos como propriedade colectiva, juntamo-nos ao exército dos que auguram rapidamente a melhoria do estágio em que se encontra o futebol angolano, modalidade de grande aceitação no nosso ordenamento social.

Nesta linha de pensamento, lançamos “achas” para que a empreitada de Beto Bianchi, que mantém o seu vínculo contratual com a direcção do Clube Petro Atlético de Luanda, seja coroada de êxitos, afinal, é intenção geral que Angola volte a pisar os palcos das grandes competições futebolísticas realizadas à face do globo.

Apesar de deixar explícito que nada vai influenciar negativamente em quaisquer dos lados, temos algumas reservas se será possível Beto Bianchi, agradar à dois senhores, - Petro de Luanda e Selecção Nacional -, na mesma proporção, mas ficam salvaguardadas as boas intenções do treinador, que afirmou ter aceite o desafio duplo \"não para prejudicar a selecção ou o Petro\"; oxalá.

Fica igualmente a inquietação em relação ao futuro dos treinadores considerados quadros da Federação Angolana de Futebol, que foram alvo de algum investimento em formação, ao que parece não encaixam na estratégia do elenco directivo, pelo menos até agora, que nenhuma referência é feita a eles.

Entretanto, trata-se de um projecto implementado em circunstâncias especiais, considerando os constrangimentos económicos e financeiros que o país atravessa, o melhor é aceitar que Beto Bianchi seja o técnico que pode devolver o que de melhor o futebol angolano já conquistou e perdeu-se.

Obrigamo-nos a isso, ainda que custe um sepulcral silêncio em relação aos resultados, os tais que suportam a folha de serviço dos treinadores e que diga-se de passagem, o novo treinador da equipa nacional ainda não tem nada para embandeirar, talvez pelo pouco (?) tempo de serviço que tem na nossa querida pátria desportiva, a mesma de Brinca N\'areia, Ndunguid, Jesus, Man Torras, Zico, Cacharamba, Carlos Queirós, Oliveiras Gonçalves, Mário Calado, Miller Gomes e tantos outros.Carlos Calongo

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