Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os estreantes e o ritual de integrao

18 de Março, 2019
Igor Vetokele regressa aos Palancas Negras, depois de muito tempo. Wetokele é daquela geração de jogadores formados a maior parte deles na Bélgica e que se estreou nos Palancas sob comando de Filemôn, em 2014. Wetokele, que actua na Segunda Liga Inglesa, ressuscita um mau exemplo de que tenho memória. Ele, assim como Buatu e outros, nasceu na Bélgica e de Angola só ouvia falar, ora pelos pais ora pela \'media\'.
E a primeira vez que ia vestir a camisola dos Palancas Negras tive ou tiveram uma recepção desastrosa por parte da Federação Angolana de Futebol. Os Palancas Negras iam fazer dois particulares, na Áustria e no Algarve, Portugal.
Os jogadores saíram dos respectivos países para Áustria. Ficaram horas e horas no aeroporto sem que houvesse alguém à espera deles para os receber. Os pais tiraram dos respectivos bolsos para que os filhos chegassem ao hotel no qual estava hospedado a equipa nacional.
Chegados aos hotel, esperava-se que houvesse um ritual de integração, no qual se manifestasse não apenas a satisfação por virem à Selecção, mas todos outros aspectos que permitem ao jogador desligado da realidade do país, sentir-se em casa e angolano de facto.
Desse episódio terá ficado a imagem aos jogadores de Angola fazia parte, também, daquela realidade africana que os \'medias\' ocidentais retratam. Ou seja, uma selva. Espero que a direcção de Artur Almeida e Silva faça diferente com Wilson Eduardo.
Seria bom que se fizesse todo um ritual de apresentação ao jogador da realidade nacional, fazer deslocar o jogador para os lugares que retratam a nossa história, de luta mas também de povos com uma identidade própria. É isso que permite ao jogador que nasceu fora de Angola estar vinculado ao seu país. É isso que permite ao jogador sentir a pele arrepiada quando toca o hino nacional. É isso que faz o jogador dar tudo para que a bandeira de Angola esteja entre as melhores. É isso, em síntese, que faz um cidadão ser patriota. Portanto, não se pode ignorar estes aspectos.
Não se trata de esconder a realidade, tão pouco vender uma imagem de um país desenvolvido, igual a Portugal ou a África do Sul. Não. Apenas dar a ver que somos um povo com história própria, com vontade de vencer, que não se verga perante as dificuldades e que apela o concurso de forças de todos os seus filhos, no Desporto como na Educação. Na Agricultura como na Saúde. Feito isso, o jogador passa a ser angolano de corpo e alma, ainda que sinta dificuldades no início. A força interior, uma vez alimentada, ultrapassa isso.. Teixeira Cãndido


Últimas Opinies

  • 19 de Setembro, 2019

    Capitalizar os Capitas

    Está na baila o que adjectivo por “Caso Capita”, que até onde sei envolve a direcção do Clube Desportivo 1º de Agosto, o agente do jogador, a Federação Angolana de Futebol e a família de sangue do referido atleta, que até prova em contrário, ainda está vinculado ao clube militar, que o inscreveu para a presente época futebolística.

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Sinto-me bem na província da Lunda-Norte. As pessoas têm sido fantásticas comigo, em todos os aspectos. Têm-me apoiado bastante e, naturalmente, os jogadores, direcção e todos os membros do clube.

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Pensamento de Drogba

    Considerando que a vida é feita de sonhos e ambições, é de todo legítimo o pensamento do antigo internacional costa-marfinense Didier Drogba, em traçar como meta das suas ambições, enquanto homem do futebol, a presidência da Federação Costa-marfinense de Futebol.

    Ler mais »

  • 16 de Setembro, 2019

    O lado difcil do marketing desportivo

    "Do jeito que vocês estão a trabalhar, o marketing desportivo em Angola, muito abaixo da linha da cintura, creio que este é o pior momento possível para se apostar no sector”, desabafou um especialista brasileiro, numa conversa mantida recentemente em ambiente reservado, com um pequeno grupo de jovens empreendedores, que "sonham" fazer grandes negócios através do marketing desportivo.

    Ler mais »

  • 16 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    O Sagrada é um clube com carisma, mística e sente-se isso na província, quer no dia-a-dia com os adeptos, quer no contacto com as pessoas.

    Ler mais »

Ver todas »