Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os fantasmas ressuscitaram

04 de Agosto, 2017
Não faz um mês sequer que decidimos fazer neste nosso espaço um elogio ao silêncio da segunda volta. Dito de outro modo, mal estamos refeitos da abordagem que celebrava ausência de suspeições de corrupção neste cacimbo, ao contrário de outras épocas. Nos anos em que o dinheiro corria que nem o rio, a esta altura a gritaria dos pequenos era insuportável. Era queixa por tudo quanto era canto, com os grandes ou os candidatos ao título sempre no epicentro da polémica.

Era, para quem como nós jornalistas e adeptos da pureza do futebol, motivo para júbilo, celebrássemos embora soubéssemos que tudo isso não resultava verdadeiramente de um acto de penitência dos clubes. A crise era sim a responsável por isso. Incluíamos entre as medidas de choque, responsáveis pelo silêncio no Girabola, a publicidade das sanções dos árbitros, uma medida nunca antes implementada.

Para os árbitros nunca foi boa ideia, pois lhes ofendia a dignidade, como se fossem os únicos detentores do tal valor. Jogadores, treinadores edirigentes nunca se queixaram ou viram a sua honra ofendida por conta disso.

Seja como for, Jorge Mário Fernandes e Inácio Cândido, decidiram tapar os ouvidos, e avançar com a publicidade dos castigos, o que quanto a nós teria igualmente inibido a acção dos árbitros como dos clubes. Porém, no último fim de semana, os fantasmas ressuscitaram, e voltamos a falar de suspeições de corrupção. Zeca Amaral ou FC Bravos do Maquis juram de pés juntos terem flagrado os assistentes a receberem do 1º deAgosto valores, cujo montante e a cor do dinheiro não foi revelado. O treinador do FC Bravos do Maquis decidiu poupar-nos dos detalhes, ou talvez guardar mais informações para o fórum apropriado, no caso o Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol.

E a questão que se coloca é se o Ministério Público vai continuar a assistir esses problemas no seu camarote, como se nada estivesse a ocorrer. Ou está espera que alguém lhes avise para accionarem a investigação necessária para se aferir se há ou não matéria suficiente para se nstaurar um processo judicial contra a direcção do 1º de Agosto, supondo que quem agiu – suposição, repito, terá agindo no interesse do clubee com a devida autorização.

Ora não havendo nada, consideramos justos que o cadastro do 1º de Agosto possa ser limpo. Ainda que o Ministério Público tenha receio de agir, os dirigentes do 1º de Agosto, se estão de cabeça tranquila, deviam incentivar essa investigação, precisamente para ver o seu cadastro, se é que o têm.

Elogiei tanto essa direcção por ter tido a honra – não é favor nenhum mas… - de reverter a situação crítica do 1º de Agosto, que eram infra-estruturas. A actual direcção fez do 1º de Agosto o primeiro clube do País de facto, e não apenas de jure. Ninguém duvida que nesse aspecto não seja mesmo primeiro.

Se recuperarmos a imagem de um clube, cujos jogadores saíam do RIO-20 para ir tomar banho no Rio Seco ou na sua sede principal. Sem uma sala de conferência de imprensa. É verdade que esses feitos assinalados já tinham sido resolvidos no consulado de Pedro Neto e Raul Hendrick, esses assistidos por Santana Lungu e Pereira Furtado. O principal campo de futebol, por exemplo, recebeu relvado já nessa época. Os grandes feitos dessa direcção são essencialmente a duplicação dessas infra-estruturas, e para todas as equipas que fazem o 1º de Agosto.

Atadas todas essas situações, nunca me inibe de fazer elogios, logo espero que a direcção do 1º de Agosto não tenha mergulhado nesta maré, aproveitando a fome geral que assola o futebol para distribuir dinheiro e ganhar jogos. Campeonato melhor dito. Espero que a direcção do 1º de Agosto tenham mantido a filosofia de que é preferível aumentar os prémios dos jogadores do que engordar os árbitros.

Espero que Carlos Henrdick não se tenha deixando induzir nessas práticas cujos resultados são efêmeros, enganadores e que configuram um atestado de incapacidade aos treinadores e jogadores.

Espero que a direcção do 1º de Agosto não queira igualar os títulos do Petro de Luanda a todo custo. Espero que o Ministério Público não imite a avestruz. Faça a investigação e responsabilize se necessário for os dirigentes, seria um santo bálsamo para o futebol nacional.

Os meus botões no entanto dizem-me que o Ministério Público não terá coragem suficiente para agir. Razões para justificar o silêncio não faltará. Temo desse modo que este assunto vá ao encontro de outras tantas denúncias que se encontram já na galeria do desporto, que nem troféus. É uma pena voltar a trazer esse assunto para as páginas do Jornal dos Desportos. Estávamos todos felizes com o silêncio. Espero que Zeca Amaral tenha soltado apenas fogo de artifício, na sequência da derrota. De outro modo, só Deus.
Texeira Cândido

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