Jornal dos Desportos

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Opinio

Os "favoritos" do CAN e efeitos do Ramado

04 de Fevereiro, 2019
Não se sei os nossos Palancas Negras na devida altura conseguirão ou não o apuramento(não desprezemos o Bostwana!) porque Angola está ainda a depender de si mesm A e de terceiros, mas, enquanto isso, sinto que já SE fala de favoritos de algumas selecções com carimbo para a fase final do CAN de 2019, a ter lugar, em data ainda a discutir-se, para a histórica terra dos \"faraós\", o Egipto, que será o \"berço\" da compita.
Nesta altura há um conhecidíssimo senhor treinador que até \"já passou por Angola\", onde as nossas autoridades desportivas e políticas não lhe deram o que queria para trabalhar - falo do francês Hervè Renard - que já aponta caminhos de sucesso lá onde agora tem emprego. No Marrocos.
Agora à frente da Marrocos - Leões do Atltas é como se cognominou aquela s selecção -, um conjunto que merecidamente assinou o seu regresso à cimeira do futebol africano sob as suas ordens desse Hervé Renard - que é um dos mais categorizados treinadores que conheço, e que inevitavelmente já aborda o CAN-2019 com muitas ambições.
Este técnico, de forma comedida, sem retirar valor a outras selecções de peso já disse há dias, para quem o quis ouvir, que \"nós vamos ao Egipto com ambições, isso é normal\".
Eu particularmente, puxando por Angola, não apenas estou a ver os nossos Palancas com orgulho de também lá estarem, e se lá chegarem...mas aponto o dedo não apenas para o Marrocos. Igualmente a Argélia, a Tunísia, a Costa do Marfim e, quiça, outros grandes \"outsiders\" da prova não são de marginalizar.
O sorteio acontece a 9 de Abril róximo e será ocasião para, a partir das equipas de cada grupo, fazer-se projecções e conjecturas em redor das selecções favoritas e de todo o enredo da competição.
Vejo-se que, tirando a Costa do Marfim, há sinais de que os países da Região do Magreb estão a fazer preces para tudo dar certo: na semana passada, a pedido de Marrocos, da Argélia e da Tunísia, o dia do pontapé de saída do CAN-2019 pode ser adiado por uma semana.Dizem que é para permitir que os jogadores descansassem após o mês de Ramadão. Isto é, já não pode ser de 13 de Junho a 15 de Julho, mas, sim, de 21 de Junho a 19 de Julho.
A Confederação de Futebol Africano (CAF), se acusará ou não esta pressão, pode acabar vergada. Deu sinal de que a prova pode ser de Maio até ao início de Junho. Seja como for a prova vai ser quente; muito quente no campo competitivo, mais a mais \"temperado\" por uma época de verão.
Devo recordar que esta questão do Ramadão tem dado que falar. Por exemplo, no \"mundial\" de 2018 disputado na Rússia, o jejum de jogadores muçulmanos havia sido debatido.
Isto a tal ponto que as autoridades egípcias acreditavam que Ramadão ditou o fracasso do Egipto. Os faraós, os últimos do seu grupo, foram eliminados na primeira fase.
Mas, enquanto isso, mesmo substituindo os Camarões que viu a organização da prova a fugir-lhe devido à instabilidade política, social e militar que entre as suas fronteiras, o Egipto, pelo que noto, não desarma na organização.
Está a fazer tudo para que os factos saim a contento, mais ainda agora que ,pela primeira vez, terá o condão de albergar a competição com 24 selecções, em oito estádios e cinco cidades. Já se pode conferir: Cairo (2 estádios), Alexandria (2 estádios), Suez (2 estádios), Port Said e Ismailia. Porém, atenção! Se a escolha de Ismailia foi confirmada apesar da violência causada pelos apoiantes do clube local (atirando projécteis) que levaram à sua exclusão da Liga dos Campeões Africanos, no entanto, o principal estádio do país, Borg Al Arab Estádio ( de 86.000 lugares), não será mantido para o torneio.
Ouvi, a ser entrevistado pela BBC, o porta-voz da Federação Egípcia de Futebol, Ahmed Megahed, onde explicou que este estádio localizado no subúrbio de Alexandria vai ser muito difícil concluir.
ANTÓNIO FÉLIX

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