Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

Os filhos e os enteados do ASA

30 de Novembro, 2017
Ambiguidade. Esta, é a palavra que mais se adapta ao ambiente que se vive actualmente, nas hostes do ASA. Enquanto o futebol atravessa uma crise sem precedentes no historial do clube, o basquetebol está em alta, numa clara alusão ao diferencial entre filhos e enteados.
A contrariar todas às expectativas, o clube presidido por Elias José foi buscar ao exterior dois norte-americanos para reforçar a sua equipa de basquetebol, que esta época aposta fortemente no título, depois do sexto lugar alcançado na época passada.
A história mais recente diz-nos que o ASA sagrou-se campeão nacional em 1996 e 1997. Aliás, a palavra campeão está associada ao vencedor, a resultados e desempenhos de excelência. Realisticamente,é aquilo que reconhecemos de todos os clubes que consideramos bem sucedidos.
E, no fundo, foi aquilo que o ASA fez nas épocas 1996 e 1997 e pretende com
todo o direito que lhe cabe voltar a fazê-lo esta temporada, 20 depois.
Por outro lado, ter sucesso é um sentimento interno de bem-estar, felicidade e realização pessoal. É um sentimento de auto -eficácia e adequação às situações de vida, sejam elas impostas pelas circunstâncias ou desejadas pela própria direcção do clube do aeroporto.
A questão que se coloca é a seguinte: tem o clube presidido por Elias José dinheiro para suportar esta super-aventura? Quem vai pagar os salários aos dois norte-americanos? Tudo isso, porque a realidade do clube é de “miséria”. O clube como se verificou ao longo da disputa do Girabola/2017, viveu sérios problemas de tesouraria. Aliás, até hoje os jogadores e equipa técnica continuam sem receber os seus salários, em atraso. E a temporada já acabou.
Se não há dinheiro para suportar gastos com a equipa de futebol, que 39 anos depois desceu de divisão, não compreendo como Elias José se aventure tão alto com a equipa de basquetebol, que até se dá ao luxo de efectuar um estágio pré-competitivo em solo português.
Por mais que queira rejeitar, a verdade é que o ambiente não é dos melhores na equipa do aeroporto. Há problemas nos bastidores do clube, porque se uns são beneficiados, no caso a equipa de basquetebol, outros são descriminados, no caso a equipa de futebol, que infelizmente no próximo ano vai disputar a “Segundona”
A descriminação só atrapalha o clube, deve estar mais unido, mais junto, para que os ideais sejam cumpridos na íntegra. Não pode haver divisão. Todos têm de ser tratados da mesma forma, porque todos defendem os interesses da mesma agremiação.
Segundo me constou, e infelizmente não pude confirmar, o ambiente está dividido na direcção do clube, uma situação que pode enfraquecer. O caso não é para menos.
Embora tenhamos de reconhecer o profissionalismo do grupo de jogadores da equipa de futebol, pese descer de divisão e com salários em atraso continua a trabalhar por determinação da direcção, lamento que nem todos no clube cooperam para se desanuviar o ambiente de filhos e enteados.
O presidente do clube, Elias José, tem de dar a cara, dizer a verdade. Tem de dizer se o clube tem ou não tem dinheiro, porque o que se passa com as duas modalidades, futebol e basquetebol, com duas faces. De miséria e de deslumbramento.Elias José paga a factura de muitos momentos desgastantes, em que deu a cara pelo que devia e pelo que não lhe era imputável. Ao não abraçar todas as competências de que se quis dotar-se, Elias José acabou por ver a sua posição fragilizada, principalmente agora, por não saber gerir o ambiente de discórdia que se verifica nas duas modalidades de maior destaque do clube.
Este conjunto de circunstâncias é tão rico, que oferece campo a duas reflexões sobre a realidade financeira do clube, no geral, e uma outra sobre a superação do déficite, que se verifica com a equipa de futebol.
O que salta à vista, é mais uma vez o enorme quantitativo financeiro que abarca a equipa de basquetebol, às ordens de Carlos Diniz, e a centelha de esperança de que as forças que promovem esta separação, possam um dia irradicar a fome que assola os jogadores de futebol.

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