Jornal dos Desportos

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Opinião

Os goleadores que nos faltam

20 de Abril, 2017
O campeonato nacional de futebol da 1ª Divisão vulgo Girabola que faz disputar a sua 38ª edição está cada vez mais competitivo nos últimos dez anos, especialmente desde a entrada em cena do Recreativo do Libolo do Cuanza Sul.

Na pressente edição com dez jornadas já disputadas o despique é grande desde o topo ao fim da tabela classificativa onde a diferença entre o primeiro ao quarto colocado é de apenas um ponto!

Isto por si é um forte indicativo de que temos tido grandes partidas de futebol como por exemplo aconteceu nos derbi envolvendo o Kabuscorp do Palanca, Petro de Luanda, Progresso do Sambizanga e 1º de Agosto.

Entretanto, um dos grandes problemas do futebol nacional é a gritante falta de goleadores natos que faz com que os grandes espectáculos que temos assistido não atinjam o “ponto rebuçado” como soe-se dizer.

Temos vários exemplos disso. No jogo 1º de Agosto – Santa Rita de Cássia, viu-se um autêntico festival de falhanços de golos como se os jogadores tivessem sido contratados para tal. Ainda no dérbi dos dérbis entre o Petro de Luanda e o 1º de Agosto vimos que o nosso futebol, está órfão de artilheiros no verdadeiro sentido da palavra.

Os golos são a vitamina do jogos e quando não existem executantes capazes de os fazer isto retira a alegria que é o futebol. Por mais que as equipas joguem bem se não houver golos é como se estivéssemos num ambiente de luto.

Só para termos uma ideia de quão vai mal o nosso futebol neste capitulo, o melhor marcador da historia do Girabola é Carlos Alves, antigo ponta de lança do 1º de Agosto que em 1980 rubricou 29 golos. Portanto há mais de 37 anos que ninguém consegue destronar o rei Alves. Se a memoria não me atraiçoa já tivemos um campeonato em que o melhor marcador marcou apenas 11 golos, entre 2005 á 2008!

Os jogadores que mais próximos estiveram de igual ou ultrapassar Carlos Alves foram o Jesus, Amaral Aleixo e Flávio do Petro de Luanda e Gelson do 1º de Agosto que marcaram 23 golos na sua conta pessoal.

Que saudades temos de goleadores natos dos anos 80 e 90 como João Machado, dos Diabos Verdes, Mavó, do Ferroviário da Huila, Basílio, do Chela, Sayombo, do Académica do Lobito, Sansão, Manuel e Dala, do 1º de Agosto e outros grandes matadores.

Entretanto, temos que reconhecer que com o passar dos anos o futebol deixou de ser apenas uma forma de entretenimento e passou a uma das maiores fontes de enriquecimento. Assim, as defesas que antes eram o elo mais fraco das equipas passaram a ser mais fortes que os ataques.
Mesmo assim, não se justifica a gritante falta de goleadores natos no nosso principal campeonato. Nos últimos dez anos tivemos um Akwá, que é o melhor marcador da selecção nacional de todos os tempos, mas praticamente não jogou uma época em grande no Girabola.

O Manucho, começou muito bem como goleador no Petro de Luanda, mas a sua transferência para o Manchester United atrapalhou a sua brilhante carreira iniciada em Angola. O Flávio, teve mais tempo de Girabola e por isso em duas ocasiões internamente mostrou que era um grande goleador e fez o mesmo enquanto esteve no Egipto. Não nos esqueçamos que o actual treinador adjunto dos Palancas Negras é o dono do primeiro e único golo de um Angolano num Mundial de futebol rubricado diante do Irão no célebre empate a uma bola.

Gelson Dala, começou muito bem a sua carreira como artilheiro no seu 1º de Agosto, mas a sua transferência para o Sporting de Portugal travou a sua marcha. Mas parece-nos que o puto não se intimidou diante dos Tugas e continuar cada vez mais felino. A nível do Girabola actualmente não temos um verdadeiro matador. Mesmo recorrendo ao estrangeiro para colmatar este défice com jogadores como Tiago Azulão, Rambé e outros com todo o respeito que tenho por eles, o nosso campeonato ainda continua morno em termos de concretizações .

Para piorar ainda mais a situação alguns jogadores que eram vistos como grandes artilheiros nas camadas jovens como Filhão do Petro de Luanda, Nany do Kabuscorp do Palanca e outros, não lhes é dada a devida oportunidade nas equipas principais e acabam desaparecendo depois de muitos anos de aturado trabalho.

Em função desta triste realidade e porque a selecção nacional acaba por pagar caro com esta situação é urgente que as pessoas de direito façam esforços no sentido de se inverter o quadro para que tenhamos um campeonato com artilheiros capazes de brindarem os espectadores com grandes jogos e muitos motivos de alegria: os golos.
Augusto Fernandes

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