Jornal dos Desportos

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Opinio

Os grandes que se encolhem

11 de Agosto, 2017
Surgiu como um elefante numa loja de porcelana. Disposta a destruir a hegemonia dos grandes do futebol nacional, Petro e 1 de Agosto precisamente. A estreia ficou aquém da vontade.

Nos anos seguintes não mais ameaçou mais impôs-se, mesmo conquistando quatro títulos, ultrapassando o Atlético Sport Aviação(ASA), até então a terceira força do Girabola.

O Kabuscorp do Palanca seguiu-lhe os passos e, por duas épocas, pelo menos relegaram os tradicionais para o segundo plano. Petro de Luanda e o 1º de Agosto passaram a assistir a luta pelo título entre essas duas equipas. A contratação de Rivaldo, muito críticada por mim, inclusive, de Tresor Mputu Mabi ou de João Pereira, avançado português e um sem-número de jogadores que actuavam na principal Liga Portuguesa foi muito mediática.

Com a cabeça perdida, 1º de Agosto e o Petro de Luanda também entraram na roda das contratações, porém o título que tanto buscavam, os tradicionais não conseguiam. Dez anos depois ou seja, no ano passado os militares voltaram a conquistar o título, o décimo da galeria militar. Os tricolores ainda buscam o título, desde o ultimo conquistado em 2012.

Porém, o quadro parece configurado outra vez. As duas equipas de Luanda reassumiram a discussão do título, numa altura em que o Libolo manifesta alguma frustração com o seu sonho internacional. A ideia de se impor no continente ficou apenas pela intenção. E não sem razão.

O Recreativo do Libolo nunca teve uma equipa para se impor no continente. O 1º de Agosto e o Petro de Luanda, por exemplo, chegaram à final da Taça da Confederação e brilharam na Liga dos Clubes Campeões porque tinham equipa para isso.

Golear o Al Ahly do Egipto em pleno Cairo, jogar olhos nos olhos com Orlando Pirate, campeão africano, ou mesmo USMA da Argélia ou Raja Casablanca do Marrocos não foi obra do acaso.

Esses plantéis discutiram o título da Liga. O 1º de Agosto que abriu o caminho em 1997, ficou a dois pontos das meias-finais daquela edição. O Petro de Luanda chegou mesmo às meias-finais, perdendo aos penáltis em plena Cidadela frente ao Santos da África do Sul, que acabou por ganhar a liga de 2001.

Depois dessas equipas, tivemos o ASA de Pedroto, comandada por Love Kabungula, no auge da sua carreira e em 2003 também jogaram a Liga, porém, ficaram longe do brilharete dos outros grandes. Já o Libolo e o Kabuscorp quiseram ser grandes sem preparar o terreno, sem chão, cá e lá.

Embora não possamos avançar já com qualquer sentença, o certo é que o Libolo e o Kabuscorp parecem encolhidos agora, numa altura de aperto, em que não há dólares para pagar a qualquer jogador por eles pretendido. Talvez seja a hora desses clubes recomeçarem o percurso, imitarem os melhores exemplos de outros. Até hoje, esses clubes que se querem grandes nunca tiveram projecto estruturantes para se afirmarem como tal. Era bom que fossem grandes, de facto, pois ganharia o futebol nacional. Como acreditam muitos economistas, é em tempo de crise que se vê a criatividade. É um período fértil para grandes reflexões. Oxalá, a possam fazer com serenidade e dela resultar uma decisão firme de apostar na formação, de subirem pela escada e não pelo elevador.
Teixeira Cândido

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