Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os heris do 4 de Fevereiro

15 de Fevereiro, 2015
Até chegar ao estágio que concede aos angolanos o estatuto de um povo independente, livre e soberano, Angola passou por várias fases, obrigando muitos dos seus filhos a darem o máximo de si em busca do melhor que se consubstanciasse no bem comum.

Do grupo dos melhores, destacam-se os heróis do 4 de Fevereiro, considerado como o dia do início do processo que culminou com a proclamação da Independência Nacional de Angola, aos 11 de Novembro de 1975.

Tenho cultivado como hábito, nos referidos meses, Fevereiro e Novembro, escrevinhar algo como tributo aos verdadeiros heróis da saga que tornou Angola um país soberano.

Neste Fevereiro, ocorre-me falar dos heróis de Fevereiro, lembrando-me o tempo em que, ainda garoto, ignorava o significado profundo do 4 de Fevereiro.

Vem-me à memória a imagem do meu progenitor, vestido de traje negro, típica dos sobreviventes do 4 de Fevereiro, saindo de manhã para trabalhar no Comité de Acção sito no bairro Adriano Moreira, ao Cazenga.

Lembra-me ainda de alguns dos seus colegas como os finados Pimentel e Tolola Mbanji, o camarada Simão, na altura morador no Bairro Neves Bendinha, que passava religiosamente todos os dias, em busca do meu pai, para juntos rumarem a fim de cumprir mais uma jornada laboral, no já atrás citado Comité de Acção 4 de Fevereiro.

Por estas e outras boas memórias, penso existirem razões objectivas para que me sinta vangloriado com e pelos heróis de 4 de Fevereiro, sendo este um marco importante para tudo o resto que Angola veio a conhecer e viver.

O desporto, porém, como ente social de referência obrigatória, não pode estar dissociado das conquistas promovidas pelos heróis do 4 de Fevereiro. Aliás, é tanto o valor do 4 de Fevereiro que permitiu que alguém decidisse que a realização da Supertaça em futebol seja disputada no referido dia.
Infelizmente, por razões que a mim não são muito convincentes, este ano a regra não se cumpriu, criando-se um vazio no “hábito” que vimos cultivando de um tempo a esta parte, em ver futebol no dia 4 de Fevereiro, na ressaca do feriado.

Abro um parêntesis para sugerir a quem de direito que se atribua a designação da Supertaça de Angola, o nome de 4 de Fevereiro ou Heróis de Fevereiro.

E, por assim em diante, que os ministros dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, ou o da Administração do Território, sejam os convidados de honra dos jogos da Supertaça, que ficam encarregues de atribuir o troféu ao capitão da equipa vencedora.

Claro que fica salvaguardada qualquer intenção contrária que o Titular do Poder Executivo tenha em nomear outra entidade máxima para dirigir as actividades atinentes às festividades do 4 de Fevereiro.

Como isso, a conhecida Rainha do 4 de Fevereiro, Engrácia Cabenha, por ser a única “menina” do grupo dos heróis do 4 de Fevereiro, fosse igualmente convidada a prestigiar o espectáculo com a sua presença e quiçá, participar da festa com a entrega de medalhas aos intervenientes.

Isso representaria uma homenagem profunda aos heróis do 4 de Fevereiro, sendo que, ao ritmo em que a natureza fosse cumprindo o seu papel de os retirar do mundo dos vivos, outros familiares directos fossem substituindo a presença, em forma também de eternizar o nome e feitos dos heróis de 4 de Fevereiro, à quem devemos sempre dar honras e glórias. Tenho dito.
Carlos Calongo

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